Entre e olhe
Vá ao teatro, me chame e leve um binóculo. ‘A Primeira Noite de um Homem’ e ‘O Santo Parto’ seduzem o público-voyeur
Sexo com padre numa peça, Vera Fisher nua em outra: para curiosos
Que nojo! Não acredito!", bradava uma voz feminina na platéia de O Santo Parto, no domingo, durante o propagado beijo entre Roberto Bomtempo e Sérgio Marone. Na estréia, a cena foi aplaudida com entusiasmo por um público de artistas, em sua maioria. "O beijo não choca e, sim, o tema", acredita a aposentada Glória Villela, 66 anos, falando de homossexualidade e pedofilia na Igreja.
Quem fez fila na porta do Teatro Leblon quinta-feira, repetiu um discurso parecido com o da atriz Lia Racy, 24 anos: "Estou curiosa para ver, mas o que mais causa incômodo é a atitude da Igreja. É tanto absurdo...". No palco, nada tão contundente. O padre de Bomtempo geme com as dores do parto. Gargalhadas. O cardeal feito por José de Abreu também fez rir com frases como "O sacerdote não é justo, é largo". E Sérgio Marone cantando um rap sobre vagina ou chamando Bomtempo de ‘Love’? Mais risada, claro.
"Escuta o mato nascer", insinua Marone antes de começar a simular o ato sexual com Bomtempo – durante a cena, silêncio. "Vão cair de pau em cima, mas tem mais é que trazer adolescente para assistir ao espetáculo. É uma fase tumultuada, muitos não sabem se querem ser homens", indica a professora Lígia Bittencourt, 49. O comerciante José Carlos Carvalho, 64, aprovou: "O humor quebra o clima". "Foi muito corajoso usarem um padre grávido como metáfora", defendeu a atriz Valéria Barros, 28.
Sexta-feira, 20h40. A bilheteira do Teatro Clara Nunes informa que não há mais ingressos para A Primeira Noite de Um Homem. "Só tem para domingo", informa. Quem pagou R$ 50 pelo bilhete se prepara para entrar. Na fila, uma mulher acusa o marido de estar ali apenas para ver Vera Fischer sem roupa. Já na platéia, um grupo de senhoras que chegou de van conversa. "Vera Fischer está habituada a tirar a roupa e pode fazer isso. Está cada vez mais bonita", declara Maria de Lourdes Nunes, 83 anos.
Começa a encenação. O tímido Benjamim (Armando Babaioff) está no quarto, perdido em pensamentos, quando os pais vêm cobrar sua presença na festa que acontece em casa. Minutos depois a Sra. Robinson invade o quarto do rapaz, tenta seduzi-lo, vai ao banheiro e volta nua. A seqüência é rápida, a luz, discreta, mas dá tempo de todo mundo reparar nas pernas musculosas, na barriga negativa, enfim, nas curvas perfeitas. No fim da sessão, o público se divide.
"Ela é sarada", espanta-se o estudante mineiro Guilherme Simões, 16 anos. "Não consegui ver direito. Tinha um cabeçudo na minha frente", reclama o aposentado Décio Troian, 62. "Achei a cena fria, poderia ter sido mais caliente. Mas o pior é que o texto é fraco. Quase pedi o dinheiro de volta", exagera o aposentado João Carlos Thomaz, elogiando apenas a atuação de Rafaela Fischer. "Ela, sim, me surpreendeu. Está melhor que a mãe."
Escrito por Cassiano às 08h22
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À procura de franquias baratas
Feira da ABF, que abre amanhã, deve gerar mais negócios entre empresas que exigem investimentos mais baixos
Silvana Caminiti
As franquias que exigem baixo investimento devem ser as mais procuradas na ABF Franchising Expo 2004, evento que será aberto amanhã e se estende até sábado no ITM Expo, em São Paulo. A opinião é do consultor André Friedheim, da Francap, empresa especializada em consultoria em franquias. "Apesar da instabilidade do mercado, o franchising continua como uma grande opção de investimento para quem quer montar seu próprio negócio. O empreendedor já conta com uma marca reconhecida, com bom produto para ser distribuído, ou vendido, e com todo o suporte do franqueador, o que diminui bastante o risco do negócio", lembra ele.
Na verdade, o lançamento de negócios que requerem um investimento menor já vem se tornando uma tendência entre franqueadores. Exemplo disso é o lançamento de um novo formato de concessão que o desenhista e empresário Daniel Azulay acaba de fazer para seu curso de desenho. O criador da Turma do Lambe Lambe lançou o licenciamento da Oficina de Desenho, com R$ 15.800 de investimento, já incluindo o direito ao uso da bandeira e kits de aula para 60 alunos.
"A validade do licenciamento é de três anos e o prazo de retorno do investimento é de seis a oito meses, em média. A partir daí, prevemos uma renda mensal de aproximadamente R$ 3 mil para aqueles que tiverem espaço próprio para instalar o negócio, ou seja, estiver livre de aluguel", comenta Azulay, que também tem oficinas franqueadas em atividade.
O desenhista explica que o interessado em obter o licenciamento precisa apenas de uma TV, videocassete, mesas e cadeiras, móveis escolares ou bancada, além de um facilitador, que irá orientar as aulas apresentadas no vídeo.
Daniel Azulay: (21) 2287-5396
http://www.danielazulay.com.br
Escrito por Cassiano às 08h21
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A descoberta dos sabores
Petrópolis, Friburgo e Teresópolis têm roteiros para conhecer a produção e cultivo de alimentos e bons festivais de gastronomia
Rachel Vita

A chef Marina Tasaki vai dar curso sobre a tradicional comida japonesa
Dois festivais gastronômicos vão aquecer a Serra. Serão 11 dias de eventos e muita degustação em Petrópolis, Friburgo e Teresópolis, entre os dias 22 de julho a 1º de agosto. Além dos cardápios especiais, com pratos criados exclusivamente para os circuitos, e jantares harmonizados, onde o vinho ganha destaque na programação, os visitantes terão a oportunidade de conhecer a origem de muitos pratos, através de um tour pela produção local dos três municípios Friburgo e Teresópolis são estreantes nesse item este ano.
As rotas do conhecimento podem levar a deliciosas descobertas. É possível aprender como são feitos queijos de leite de cabra no Laticínio Montanhês. Ou licores e cachaça no Circuito Eco-Rural Caminhos do Brejal, que tem ainda o cultivo de cogumelos e a criação de trutas e cavalos. Dê uma esticada ao Terê-Fri, outro caminho com 68 quilômetros de lugares aconchegantes dentro da Mata Atlântica. Com os termômetros marcando temperaturas cada vez mais baixas, o clima da montanha é um convite para um chocolate quente à beira de uma lareira.

No Brejal, sítios e fazendas têm produção de verduras a cogumelos
Realizados pelo Senac Rio, através do Centro de Turismo e Hotelaria, o 3º Circuito Gastronômico de Petrópolis e Sabores de Inverno, em Friburgo e Teresópolis, fecharam parcerias com 66 estabelecimentos, entre restaurantes, pousadas e produtores locais. Outro destaque dos eventos é o workshop culinário. Chefs consagradas, como Roberta Sudbrack (A moderna cozinha brasileira) e Marina Tasakhi (Cozinha Tradicional Japonesa), já confirmaram presença.
Penedo também terá Festival de Inverno
Segundo Rafael Sampaio, gerente corporativo do Centro de Turismo e Hotelaria do Senac Rio, a idéia é mostrar a vocação gastronômica e turística da Serra do Rio. Esperamos a visitação de mais de 20 mil pessoas, diz Sampaio.
Outro evento vai agitar o Sul Fluminense. Penedo, em Itatiaia, terá o 6º Festival de Inverno. Começa no dia 26 com uma deliciosa mistura de gastronomia, espetáculos folclóricos finlandeses e brasileiros e exposições de artesanato.
Escrito por Cassiano às 08h21
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O romance pega fogo
Nem o fogo olímpico parece ser mais tórrido do que o amor de Ronaldo pela apresentadora Daniela Cicarelli. Os dois chegaram juntos, ontem, ao Parque do Flamengo, e o Fenômeno somente tirou as mãos de cima da namorada no instante em que teve de segurar a tocha. Cadê o Zagallo? Está demorando... Eu podia ter ficado mais tempo namorando..., lamentou, fora da área VIP, à espera do coordenador-técnico da seleção brasileira.
O coração de Ronaldo, sim, já pegava fogo. Prova disso eram as iniciais R e D, escritas com caneta preta em seu uniforme, no ombro esquerdo. Entre as duas letras, o desenho de um coração. Daniela fez a mesma inscrição no pescoço e no pulso do jogador. E assim, todo tatuado, ele acendeu a pira.
Ah, não gosto de falar sobre a minha vida particular. As pessoas vêem as coisas e comentam, desconversou. Ronaldo não falou, mas não fez a menor questão de esconder o romance. Na saída, para proteger Daniela Cicarelli da multidão que os cercava, passou-a para sua frente e colocou as mãos na sua cintura. Nem a tocha merecera tanto zelo. Sou um brasileiro privilegiado, disse Ronaldo, referindo-se, não à namorada bonita, mas à honra por ter sido escolhido para acender a pira.
Mas a mãe de Ronaldo, dona Sônia Nazário, parece não pensar assim. Após ter fracassado nas tentativas de reconciliar Ronaldo e Milene, ela desprezou a namorada do filho. A fila anda muito rápido, disse, de cara fechada, sobre Cicarelli. O pai de Ronaldo, Nélio, aprovou o namoro: Ela é simpática.
Escrito por Cassiano às 08h02
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Clube da criança
Estréia de Shrek na sexta abre temporada de bons filmes para moleques em clima de férias
Rubia Mazzini
Numa briga envolvendo um ogro apaixonado, três vacas espertas, um adulto com alma de criança, uma turma de crianças cinéfilas, um gato mal-humorado, um herói com poderes animais e uma indiazinha defensora da natureza, quem leva a melhor? Na verdade quem se dá bem é a molecada, que, diante de tantas estréias previstas para as próximas semanas nos cinemas, não vai ficar sem programa nas férias.
A maratona de lançamentos começa sexta-feira, com a chegada de Shrek 2 ao circuito nacional. Agora casado com a princesa Fiona, o verdíssimo ogro da Dream Works estrela mais um filme que tem tudo para agradar às crianças, mas também até principalmente aos pais. Afinal, há que se ter alguma vivência para entender as várias referências a outros filmes e programas de TV inseridas no longa-metragem.
Referências também não faltam em Cine Gibi, o Filme, produção que marca o retorno da Turma da Mônica ao circuito, dia 9 de julho. A trama apresenta os personagens criados por Mauricio de Sousa em cenas que lembram Matrix, Batman e Harry Potter, Tubarão, Os Embalos de Sábado à Noite, entre outras produções famosas. Depois de bom tempo longe da produção de filmes, estou tão ansioso quanto nossos espectadores para rever a turminha na telona. Será como um reencontro com o escurinho do cinema e com a magia que esse momento nos traz, diz o criador de Mônica, Cebolinha e que tais.
Outro brasileiro com bala na agulha para enfrentar os blockbusters gringos, Renato Aragão estréia a nova trapalhada de Didi Mocó no mesmo dia 9. Em Didi Quer Ser Criança, desta vez sob direção de Alexandre e Reynaldo Boury, o comediante encarna um provador de balas de uma pequena fábrica de guloseimas que declara guerra ao poderoso dono de uma marca de doces artificiais que fazem mal à saúde.
Já em Tainá 2, de Mauro Lima, a guerra é entre a brava indiazinha, agora uma pré-adolescente, e uma quadrilha que rouba animais e plantas da Amazônia. Revelada no primeiro filme, a simpática Eunice Baía agora tem a companhia de uma nova índia-mirim, Catiti (Arilene Rodrigues), que foge de casa para seguir os passos de Tainá. O filme deve estrear dia 25 deste mês.
Para cinéfilos de todas as idades, o período de férias ainda reserva Homem-Aranha 2 (estréia dia 2 de julho), Garfield, o Filme (16 de julho) e a animação Nem que a Vaca Tussa. No novo desenho da Disney, três vacas na versão nacional, dubladas por Fernanda Montenegro, Isabela Garcia e Cláudia Rodrigues , decidem ajudar a dona da fazenda onde vivem a conseguir dinheiro para pagar a hipoteca e impedir que a propriedade seja vendida. Só assim o trio se livra de ir para o matadouro e virar picanha fatiada. É isso aí. Agora é separar o dinheiro dos ingressos, da pipoca, do refrigerante...
Escrito por Cassiano às 08h02
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Namoro on-line mas sem preconceitos
Brasileiros ainda têm receios com relações virtuais, mas aos poucos vão quebrando tabus
Alessandra Carneiro e Mylène Neno

Zander conheceu Camilla na Web: é mais um meio de comunicação
Quem nunca se preparou para um primeiro encontro ao som de milhões de recomendações da mãe ou do irmão mais velho? E o relacionamento começar a rolar na Internet, todas esses cuidados aumentam muito, não é? Pelo contrário, acho que é até mais seguro. Você não se expõe tanto e, se a conversa tomar um rumo estranho, é bem mais fácil se livrar dessa situação do que numa mesa de bar, acredita a diretora de marketing do Par Perfeito, Viviane Mendes.
A mentira que os internautas contam em nome de uma nova paquera é outra idéia que vem logo à cabeça quando alguém conta que conheceu um pedaço de mau caminho pela Web. Logo, os amigos retrucam: duvido que seja bonita assim de verdade ou ele roubou uma foto de um modelo e mandou para você. Na verdade, deve ser um nerd cheio de espinhas.
Puro tabu. A realidade não é bem assim. Dentro de um site em que você está pagando pelo serviço, é muito difícil alguém mentir, garante Viviane Mendes. Já o game designer Zander Catta Preta, 31, que conheceu sua namorada, Camilla, no Par Perfeito, acha que, na Internet, é mais fácil mentir. Mas isso acaba criando decepções. Nunca ouvi uma história de alguém que tenha dito que era de um jeito na Web e tenha conseguido algo com a outra pessoa, diz. Para Zander, essa situação não é muito diferente das do mundo real. Tenho amigas que reclamam dos homens que conhecem na praia ou na academia e que exibem um status que não têm para ficar com gente que valoriza excessivamente isso.
E na hora de dizer que conheceu o seu par na Internet, rola preconceito? Tenho um pouco de vergonha de falar que conheci a Milla no Par Perfeito. Parece que é uma coisa anormal, saca? Mas acho que os preconceitos estão caindo aos poucos. A internet é apenas mais um meio de comunicação e informação e, naturalmente, as pessoas acabam se conhecendo, se envolvendo, argumenta Zander.
O preconceito ainda existe, mas diminuiu muito nos últimos anos. Até mesmo por causa da popularização da Internet, que já provou que não é lugar só para nerds, desmistifica Viviane.
Escrito por Cassiano às 08h01
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Melhor de três
Karina Bacchi se diverte enquanto não descobre o pai de seu filho em Da Cor do Pecado
Marcelle Justo

Karina entre os supostos pais de seu filho na ficção: Cauã Reymond (E), Caio Blat e Pedro Neschiling
O casulo louro está com a vida que pediu a Deus, em Da Cor do Pecado. Grávida de um dos três filhos da Mamuska Edilásia (Rosi Campos), Thor (Cauã Reymond), Abelardo (Caio Blat) ou Dionísio (Pedro Neschiling), agora Tina (Karina Bacchi) conseguiu tratamento vip na casa dos lutadores.
E, de quebra, ela tem ainda a cumplicidade de Edilásia, que se acha também uma biscate por ter se apaixonado por Frazão (Sidney Magal). Depois que começou essa história, ela fica abraçando a Tina a toda hora. Mas a aproximação é toda por causa do neto, diverte-se Karina.
Diversão, aliás, é o que não falta no núcleo dos Sardinhas. A gente libera todo o lado criança. Inventamos um monte de coisas para as cenas o tempo inteiro. Os diretores ficam loucos, diz a atriz, de 28 anos, pela primeira vez grávida na televisão.
Estou tendo que maneirar na comida porque, gravando, tenho tido que comer loucamente creme de chocolate com avelã, brigadeiro e bolo. E não dá para cuspir, já que tem que ser com vontade e depois dizer o texto, conta a atriz. Mas, por enquanto, Karina continua mantendo o mesmo corpo. Não engordei!, garante.
Ponto para a cachorra dos Sardinhas, que há tempos vem ganhando apelidos mais carinhosos. Os diretores acharam que estavam todos pegando pesado, já que a personagem tem muito apelo com as crianças. Acabei ganhando vários, Tina Queratina, Vira-Lata, exemplifica. Todos criação dos meninos da Mamuska e da própria Edilásia. A Rosi é quem traz mais idéias. Mas o Cauã é o mais enérgico e as opiniões dele acabam valendo, entrega.
A preferência pelo pai da ficção, Karina não revela. E jura: Pode ser qualquer um deles. Tina já alcançou seu objetivo, que é ficar ali naquele lar. Ela é muito carente e não tem família por perto. Não acho que seja uma questão de oportunismo, defende a atriz, que tem sido abordada pelas crianças na rua e adorado. As pessoas que me param na rua, me chamam de Tina. Mas os meninos dizem que, quando é com eles, acontece de perguntarem da cachorra, conta a atriz, que sente um gostinho especial de estar fazendo um personagem que agrade principalmente as crianças.
Meu sonho era ser paquita. Mas essa fase passou. Queria muito ser apresentadora de televisão. Só que o mercado já tem muitas, lamenta Karina. Estou realizando um pouco do meu desejo fazendo um trabalho voltado para o público infantil, admite a atriz, que sempre lidou com crianças no Projeto Florescer, que a família dela mantém na Favela Paraisópolis, no Morumbi, em São Paulo, há oito anos. Lá, tem reforço escolar, aulas de música, computação, reciclagem de jeans. São quase mil crianças, gaba-se a atriz, que ainda não pensa em ser mãe na vida real. Ainda me sinto do lado de cá: dos filhos, confessa a loura.
Escrito por Cassiano às 10h37
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Martha Medeiros
13/06/2004
Amor, este adorável inimigo
Se formos analisar as letras das músicas e as páginas da literatura que falam de amor, acredite, encontraremos mais sofrimento do que prazer
Thomas Mann escreveu: "Aquele que ama mais é inferior e tem que sofrer".
Rilke: "O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação".
Nelson Rodrigues: "Todos odiamos o amor".
Talvez isso explique Billie Holiday, que cantava: "Não me ameace com amor, baby/ vamos só caminhando na chuva".
Ameaçar com amor, veja só. Como se o amor fosse algo que nos aprisionasse, como se fosse uma fonte inesgotável de dor, como se ele tivesse o poder de desestruturar nossa vida. E tem, raios.
Se formos analisar todas as letras de música e toda a literatura que trata sobre o amor, encontraremos muito mais sofrimento do que prazer. Já foi dito que o amor é uma enfermidade, e não faltam testemunhas para dizer que ele faz mais mal do que bem. Por que tudo isso? Porque ele acaba. Porque depois de todo o idílio vivido, um dos parceiros abandona o barco. Raros são aqueles que chegam até o final da viagem juntos.
E, como todos os que já sofreram na pele sabem, nunca estamos preparados para lidar com o fim. Temos uma dificuldade crônica de aceitar interrupções.
Roberto Carlos até hoje revela em entrevistas que nunca mais amará alguém além de sua Maria Rita, que faleceu em 1999. Ele não quer se abrir para um novo amor, não pretende nem tentar. Optou por viver na saudade. Se acaso sentir-se atraído por outra mulher, será como se estivesse traindo a ex.
Parece enfermidade, realmente.
Nas célebres Cartas Portuguesas de Mariana Alcoforado, encontramos 15 vezes a expressão "ai de mim". Escrevia ela: "amo-te mil vezes mais do que à minha vida".
Agonia, desespero, ciúmes, incertezas. Não é isso que costumamos assistir nos comerciais de tevê no Dia dos Namorados, mas é isto que narram poemas e canções. Até em blogs a gente encontra farta descrição das agruras causadas por amores que não deram certo.
Pois bem: todo amor dá certo. Inclusive, e talvez especialmente, os que não duram para sempre, a maioria esmagadora. São estes amores que nos ensinam sobre nós mesmos, que nos colocam em contato com nossas emoções eletrizantes e justificam nossa existência. O segredo para sobreviver a esse massacre emocional é aceitar os finais, os unhappy ends, sempre entendendo que isso faz parte do pacote. E a dor passa - ou se transforma. Roberto Carlos, com tanto potencial e vocação para o amor, está se desperdiçando nesta entrega obcecada pela solidão. Ninguém vai tirar dele o que ele já viveu.
Ai de mim, ai de você, ai de todos nós se o amor deixar de nos ameaçar.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 10h36
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Moacyr Scliar
13/06/2004
O maratonista cego
O locutor comentava o desempenho do corredor da distante Mongólia. Ele corria mal. Era o último, mas não se importava muito. Só queria correr, correr
Esses dias ouvi pelo rádio uma notícia dando conta de que, em algum outro lugar do mundo, não consegui identificar qual, também realizava-se uma maratona. O locutor comentava o desempenho de um corredor vindo da Mongólia, que tinha chegado em último lugar, com o pior tempo dos últimos 84 anos. E aí vinha o detalhe: esse homem é cego. Para ele, o desafio havia sido não o de chegar em primeiro, ou em segundo, ou em quinto, ou em décimo: o desafio era terminar a prova.
E para este propósito, até que sua deficiência visual ajudava. Ele não via os outros corredores, que certamente o ultrapassavam e se distanciavam. Também não via pessoas torcendo. Aliás, nem via a pista da maratona. Ele corria numa pista interna, a pista de sua imaginação, que, felizmente, coincidiu com a pista real, tanto que ele acabou chegando a seu destino.
Há uma bela lição nessa história, uma lição válida sobretudo para a época atual. Vivemos numa sociedade essencialmente competitiva: é preciso ser o número 1 em qualquer coisa, em audiência, em vendas, em popularidade. O que não é de todo mau. Competir, comparar nosso desempenho com o de outras pessoas, é uma forma de avaliação, não raro muito eficiente, e disso os Estados Unidos são um exemplo: fazendo da competição uma regra de negócios (e de vida) obtiveram extraordinários progressos na área de ciência e de tecnologia.
Para vocês terem uma idéia da importância da competição naquele país, façam o teste da Internet: digitem, no Google, a palavra "competition". Aparecerão mais de 8 milhões de referências. "Cooperation", que seria o oposto, dá menos: 6 milhões de referências.
É uma competição, não raro, selvagem, uma competição que, como já foi dito, extrai o melhor das coisas e o pior das pessoas. "Winner takes all", o vencedor fica com tudo (não só as batatas do Machado de Assis). Quanto ao perdedor - não há pior palavra que loser. Como diz um aforisma americano: "Não há bons perdedores. Há perdedores, ponto."
Estava competindo, o corredor da Mongólia? Claro que estava. Mas estava travando a melhor das competições, a competição contra o desânimo, contra a apatia. O corredor da Mongólia tinha de provar a si próprio - não a adversários - que ele podia, sim, terminar a prova. Dizem que o importante não é vencer, o importante é competir. Não é bem assim. É importante vencer, mas depende de que vitória estamos falando. Vitória contra a fome, vitória contra a miséria, vitória contra a ignorância, estas são grandes vitórias. Vitória contra as próprias limitações também, e foi esta vitória que o homem da maratona obteve.
Agora vejam que coisa interessante: da Mongólia veio também um famoso guerreiro, Gengis Khan. No começo do século 13 e comandando tropas aguerridas, Gengis Khan invadiu a China, Coréia, a Índia, o Irã, o Iraque, a Turquia, a Rússia e outros países europeus. Dizia-se que, onde passavam suas tropas, a grama não cresceria jamais. Khan passou para a história como um exemplo de feroz ambição. Convenhamos: em matéria de competição, o modesto corredor mangol é um exemplo muito melhor.
scliar@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 10h35
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