
Ponto de vista: Lya Luft
Sobre pais e filhos
"O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer"
"Por que as crianças hoje são tão malcriadas e os adolescentes tão agressivos?"
A pergunta mexeu com todos. Alguns aplaudiram, outros deram risada (solidária, não irônica), e pareceu correr pela sala uma onda de alívio: o problema não era a dor secreta de cada um, mas uma aflição geral. Minha resposta não foi nada sofisticada. Saltou espontânea de trás de tudo o que li sobre educação e psicologia:
"Porque a gente deixa".
E a gente deixa porque talvez uma generalizada troca de papéis nos confunda. Por exemplo, a que ocorre entre público e privado. Vivemos uma ânsia de expor o que pensamos sobre os outros, achando que nos resguardamos da opinião alheia. No entanto, essa é uma forma de botar a cara na janela, tornar-se cabide dos fantasmas alheios uma verdade mais contundente do que imaginam os que nunca se debruçaram em nenhum parapeito.
Ilustração Ale Setti
Quando pequena, numa cidade do interior, era engraçado no fim da tarde, no sobrado de meus avós, subir numa banqueta e, cotovelos apoiados em almofadas, ficar olhando pela janela o que se passava na rua. Até que descobri que eu é que estava sendo olhada: eu me expunha. Eu, tímida e assustada, era personagem, não platéia. E a janela perdeu a graça.
Escrito por Cassiano às 21h00
[]
[envie esta mensagem]
|
continuação
Filhos malcriados e agressivos... O problema da autoridade em crise não é do vizinho, não acontece no exterior, não é confortavelmente longínquo. É nosso. Parece que criamos um bando de angustiados, mais do que seria natural. Sim, natural, pois, sobretudo na juventude, plena de incertezas e objeto de pressões de toda sorte, uma boa dose de angústia é do jogo e faz bem.
Mas quando isso nos desestabiliza, a nós, adultos, e nos isola desses de quem estamos ainda cuidando, a quem devemos atenção e carinho, braço e abraço, é porque, atordoados pelo excesso de psicologismo barato, talvez tenhamos desaprendido a dizer não. Nem distinguimos quando se devia dizer sim. Estamos tão desorientados quanto esses que têm vinte, trinta anos menos do que nós. Assim é instalada a inversão, e esta pode ser bem dolorosa.
Muitas vezes crianças são excessivamente malcriadas e adolescentes agressivos demais porque têm medo. Ser insolente, testar a autoridade adulta, quebrar a cara e bater pé, tudo isso faz parte do crescimento, da busca saudável de um lugar no mundo. Mas não ter limites é assustador. Ser superprotegido fragiliza. O mundo é informe quando se está começando a caminhar por ele: quem poderia sugerir formas, apontar caminhos, discutir questões, escutar e dialogar está tão inseguro quanto os que mal acabaram de nascer.
Teorias mal explicadas, mal digeridas e mais mal aplicadas geraram o medo de magoar, de afastar, de "perder" o filho. A fuga da responsabilidade, o receio de desagradar (todos temos de ser bonzinhos) aliam-se ao conformismo, o "hoje em dia é assim mesmo". Ninguém mais quer ser responsável: é cansativo, é tedioso, dá trabalho, causa insônia. Queremos ser amiguinhos, mas os filhos precisam de pais. E, intuindo nossa aflição, esperneiam, agridem, se agridem talvez por não confiarem o suficiente em nós.
Ter um filho é, necessariamente, ser responsável. Ensinar numa escola é ser responsável. Estar vivo, enfim, é uma grave responsabilidade. Não basta tentar salvar a própria pele nessa guerrilha social, econômica, ética e concreta em que estamos metidos. Trata-se de ter ao menos um pequeno facho de confiança, generosidade e experiência, e colocá-lo nas mãos das crianças e dos jovens que, queiram eles ou não, se voltam para nós antes de se voltarem contra nós.
Lya Luft é escritora
Escrito por Cassiano às 21h00
[]
[envie esta mensagem]
|
Diogo Mainardi
O diogomainardismo
"Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, o diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção"
Virei um insulto. Tutty Vasques assinalou o fato. Quando os leitores querem insultá-lo por causa de um artigo, já não ofendem sua mãe, como antes, mas o comparam a mim. Chamam-no de Diogo Mainardi. Assim como o termo malufismo ganhou a conotação de desvio de dinheiro público, diogomainardismo pode ser definido como uma difamação espalhafatosa na tentativa de chamar atenção.
Foi com esse significado nada lisonjeiro que meu nome entrou para o dicionário. Acompanhado por adjetivos como derrotista, frustrado, invejoso, ególatra, leviano, oportunista, mal-humorado. Pouco importa que eu não me reconheça na descrição. Diogo Mainardi se tornou uma entidade maior do que eu. Como Pelé, posso começar a falar a meu respeito na terceira pessoa.
O epíteto Diogo Mainardi é aplicado a qualquer coitado que reclame publicamente de alguma coisa. Do jornalista que denuncia nossa falta de jeito para o cinema ao blogueiro adolescente que se recusa a gostar de uma determinada banda musical.
Em geral, trata-se de gente inofensiva que se limita a soltar um comentário gratuito sobre um tema desimportante. Basta pouco para estimular a ultrajante comparação. Atribuíram-me o monopólio do protesto. Desse modo, qualquer um que proteste é automaticamente associado a mim, com tudo o que isso tem de negativo.
Os brasileiros sempre preferiram o conchavo e o corporativismo à discussão e à insubordinação. Apesar dessa nossa propensão à canalhice, tivemos grandes contestadores no passado, sobretudo na imprensa. Aparentemente não sobrou nenhum. Ou melhor, só sobrei eu, um palerma, uma caricatura grosseira de quem me precedeu.
Pelas contas de Tutty Vasques, 96% dos cariocas cassariam meu visto e me mandariam embora do Rio de Janeiro. Certamente os mesmos 96% que apoiavam Lula no começo do mandato. A eleição de Lula representou o triunfo do diogomainardismo. Peguei no pé do presidente desde os primeiros tempos, para contrastar a euforia plebiscitária que se formou ao seu redor. Agora a euforia passou.
As pessoas se encheram de Lula e, conseqüentemente, encheram-se de mim, identificando-me como uma espécie de parasita do insucesso petista. Cresci como um verme solitário na barriga do governo, alimentando-me da figura de bom selvagem de Lula, com seu palavreado primário e sua malandragem brasileira. Quando Lula acabou, acabei junto. Virei um palavrão. Daqui a alguns anos, por sorte, ninguém mais se lembrará de nós.
Claro que ser identificado como único opositor do Brasil me envaidece. Claro também que não é bom para o país. A identidade cultural brasileira não se baseou em idéias, mas em um ou dois acordes de violão. A falta de idéias não criou o hábito da contraposição, da reivindicação, da argumentação. Quem não está acostumado a argumentar é facilmente enganado. Por isso o Brasil não funciona.
Porque a gente forma espontaneamente maiorias bovinas de 96%. Cultura não é rebolar na rua. Cultura é reclamar, achincalhar, protestar, caluniar. Lamento muito que meu nome seja usado para ofender os mais inconformados. Se alguém o chamar de Diogo Mainardi, porém, não se desespere. Eu já fui comparado até a Aracy de Almeida.
Escrito por Cassiano às 20h56
[]
[envie esta mensagem]
|

Cláudia Laitano
12/06/2004
Wo-o-o Feelings
Ouve-se um compacto "óóóóó" na platéia, seguido pelo rumor quase imperceptível de mãos que se procuram no escuro. Alguns espectadores, não poucos, vão além do carinho discreto: tomam fôlego, apertam os olhinhos e abandonam-se num beijo que se prolonga até o último acorde da canção.
Estamos na estréia do novo show de Caetano Veloso, em São Paulo. O repertório inclui alguns dos compositores mais sofisticados que a música popular já produziu - Cole Porter, George Gershwin, Noel Rosa e o próprio Caetano entre eles. Mas o que derrete a platéia, o que puxa a sinfonia de suspiros e inspira a interpretação mais rasgada do cantor é um clássico da pieguice nacional em idioma estrangeiro. Se você cantarolou o título lá em cima, é provável que já tenha dançado Feelings de rostinho colado. Para os outros, um pequeno recuo histórico.
Depois de ficar seis meses nas paradas brasileiras em 1974, o tema romântico da novela Corrida do Ouro chegou patrolando as rádios americanas no ano seguinte. Morris Albert, nascido Maurício Alberto Kaiserman, recebeu quatro indicações ao Grammy por essa música com letra em inglês que ele compôs aos 22 anos e que até hoje é tida como a mais gravada da história desde White Christmas: antes de Caetano, Julio Iglesias gravou, Gloria Gaynor, Henry Mancini, Johnny Mathis e Sarah Vaughan também - até a Mulher Biônica cantarolou a musiquinha num dos episódios da série.
Aos 52 anos, Morris Albert deve estar até agora tentando entender o que o mundo inteiro viu (ou ouviu) numa canção embalada por versos tão profundos quanto estes: "Sentimentos/ Nada mais que sentimentos/ Estou tentando esquecer os meus/ Sentimentos de amor/ Lágrimas/ Estão rolando em meu rosto/ E estou tentando esquecer os meus/ Sentimentos de amor".
Amor sem "as nossas músicas" é como filme sem trilha sonora - pode até funcionar, mas perde um tantão da graça. A canção de amor mais bonita que eu conheço chama-se Valsa Brasileira e é do Chico Buarque. Começa assim: "Vivia a te buscar / Porque pensando em ti/ Corria contra o tempo/ Eu descartava os dias/ Em que não te vi/ Como de um filme/ A ação que não valeu/ Rodava as horas pra trás/ Roubava um pouquinho/ E ajeitava o meu caminho/ Pra encostar no teu".
Mas como música e paixão são artes sinuosas, jamais dancei de rostinho colado ouvindo Valsa Brasileira. Talvez o clima de romance combine melhor com melecas como Feelings mesmo - vai entender por quê. Em um de seus poemas mais conhecidos, Fernando Pessoa nos dá uma pista: "Todas as cartas de amor são/ Ridículas./ Não seriam cartas de amor se não fossem/ Ridículas".
Sentimentos, wo-o-o, sentimentos. Nem sempre é preciso, ou possível, dizer muito mais do que isso.
claudia.laitano@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 10h30
[]
[envie esta mensagem]
|

Liberato Vieira da Cunha
12/06/2004
Baú de ouro
A capa do livro de que falarei hoje é uma fotografia de um baú, que não está cheio de areia aurífera, mas de versos igualmente preciosos que saíram da inspiração de um poeta gauchesco cheio de amor pela sua terra e pela sua gente. Como o Cid Campeador, o poeta Nei Fagundes Machado também foi exilado da sua amada Ijiquiquá, no interior do município de Uruguaiana. Louco de saudade, curtindo a nostalgia dos transplantados, de que falava Manoelito de Ornellas, tratou de encher o seu baú com versos de ouro.
Nei é o filho mais velho do patriarca Júlio Machado da Silva, um gaúcho de exceção. Do tio Júlio e da tia Rosa originou-se uma plêiade de talentos os mais variados. O João e o Julinho são músicos, compositores e poetas de mão cheia. São, por exemplo, os autores de Guri, um dos clássicos do cancioneiro gaúcho. As seis irmãs cantam como anjos. Ver e ouvir os nove filhos cantando, tocando ou declamando, é um privilégio reservado a poucos.
O Nei é hoje, depois da morte do tio Júlio, o maior mestre de truco-cego do Estado e nosso líder inconteste no Clube Pitoco, que reúne a carpeta campeira em Porto Alegre. Mas não é só isso: o Nei é poeta dos bons, ótimo declamador e, como todos os Machado, toca uma gaita de botão, um violão campeiro e se defende lindo no piano. Ah, e canta muito bem, embora não goste de cantar em público. Seus versos, como o baú do Cid, contêm ouro, o ouro puro da verdadeira poesia.
liberato.vieira@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 10h29
[]
[envie esta mensagem]
|

O Reencontro
Romário volta para os braços da torcida depois de uma ausência de 41 dias. Para matar a saudade, nada melhor do que fazer gol hoje no Guarani, em Volta Redonda
Marluci Martins
É Dia dos Namorados, e o coração vai bater mais forte, sim. Pelo menos, o dos tricolores. E, seguramente, mais ainda o de quem for ao Estádio da Cidadania, em Volta Redonda, onde o Fluminense enfrenta hoje o Guarani, a partir das 16h.
Em campo, um bom partido para quem anda carente de gols e emoção: moreno, baixinho (1m69), mas de corpo atlético, Romário volta para os braços da torcida tricolor depois de uma ausência de 41 dias. Haja saudade...
No dia 2 de maio, um estiramento na panturrilha direita separava Romário de sua paixão, a bola. A lesão foi sofrida justamente aos 4 minutos do clássico diante do Vasco, ex-amor do atacante.
Depois do estiramento muscular, veio a insuportável lombalgia. E, ainda, surgiram boatos de que Romário estava flertando de novo com o Vasco. Passaram-se cinco jogos um deles, válido pela Copa do Brasil. E Romário volta a vestir a camisa do Flu, disposto a uma nova lua-de-mel com a bola e a torcida.
O atacante entrou em campo somente em quatro dos oito jogos disputados até agora pelo Fluminense no Campeonato Brasileiro. Com Romário (dois gols na competição), o time teve dois empates, uma derrota (São Paulo) e uma vitória (Vasco se bem que o Baixinho ficou somente quatro minutos em campo, nessa partida).
Com tratamento vip, Romário não seguiu para Volta Redonda ontem de manhã, com a delegação. Enquanto o time treinava no Estádio da Cidadania, o Baixinho fazia, no Rio, um trabalho de reforço muscular, com o preparador-físico Alexandre Mendes.
O treino em Volta Redonda não foi lá muito proveitoso para o técnico Ricardo Gomes. Ele não definiu o time que enfrenta hoje o Guarani.
Técnico tem dúvida no ataque e problema na zaga
Rodolfo, com dor no joelho esquerdo, não treinou, e dificilmente estará em condição de entrar em campo. Se não melhorar até a hora da partida, será substituído por Odvan, que está há um mês sem jogar.
No ataque, Ricardo Gomes não escolheu quem será o companheiro de Romário.
Teremos modificações no meio-campo e estou mais preocupado com isso do que com as opções que tenho para o ataque. Marcelo e Alessandro estão atravessando boa fase, disse o técnico tricolor, que, na impossibilidade de contar com com Diego (suspenso) e Maicon (contundido), escalou Marcão e Thiago.
Roger, que levara uma pancada na panturrilha, recuperou-se, treinou ontem e está liberado pelo departamento médico para o jogo, que marca a estréia do Fluminense no Estádio da Cidadania.
Escrito por Cassiano às 10h28
[]
[envie esta mensagem]
|

Coelho mania
Autor mais vendido no mundo, Paulo Coelho mudou-se para um antigo moinho na França. E não pára de produzir. Já está escrevendo seu próximo livro, O zahir
Eliane Lobato St. Martin (França)
Foi-se o tempo em que era possível interpelar Paulo Coelho durante suas caminhadas diárias em Copacabana. Hoje, quem quiser falar pessoalmente com o escritor precisa viajar até Paris, enfrentar mais de uma hora de avião para alguma cidade perto de St. Martin, em Béarn, e finalmente pegar um táxi para o pequeno vilarejo de 190 habitantes, onde ele transformou um antigo moinho cercado de verde em casa.
"Nessa casa tenho um espaço maravilhoso e o resto do mundo em volta para usufruir "
Neste ambiente talhado para atender a demandas espirituais, nos Pireneus franceses, Paulo Coelho poderia refestelar-se e sonhar matéria-prima básica de sua atividade, agora milionária. Mas já está produzindo seu próximo livro, O zahir palavra árabe que significa objeto ou pensamento que jamais se esquece. O autor garante, no entanto, que a obra só será editada a partir do ano que vem.
Paulo Coelho é um fenômeno da literatura mundial e nunca esteve tão em evidência. Quando recebeu ISTOÉ em sua casa, no início do mês, o escritor franqueou seu e-mail. Havia 187 convites de viagens para receber prêmios ou participar de eventos. Seu cachê para palestras é de 30 mil euros (cerca de R$ 100 mil).
Afinal, ele é o autor mais vendido no mundo em 2003, segundo a revista britânica Publishing Trends, com a marca de 65 milhões de exemplares em quase mil edições diferentes. Seu último livro, Onze minutos, acaba de ser lançado na Estônia e na Polônia, seguindo os passos de O alquimista, de 1988, contumaz andarilho de listas de best-sellers em todo o mundo. O alquimista, por sinal, acaba de ganhar mais um prêmio por ter ultrapassado meio milhão de cópias na Grã-Bretanha.
Em consequência do suces-so, o autor é alvo de ferrenha pirataria internacional. Em Angola, seus livros custam US$ 50 (R$ 150) e nem um cent vai para sua conta. Sei de tudo e não posso fazer nada!, conforma-se. Traduzido em 56 idiomas e publicado em 156 países, Coelho é o escritor brasileiro que alcançou o maior reconhecimento internacional de todos os tempos. Seu sucesso levou o jornal inglês Publishing News a criar o termo coelhomania.
Escrito por Cassiano às 19h38
[]
[envie esta mensagem]
|
Continuação
"Caminho todo dia e uma vez por semana subo uma montanha, treino tiro ao alvo com arco e faço meditação. E, claro, escrevo." Iletrado É o triunfo de Paulo Coelho, que costuma ser tratado aqui como símbolo de um Brasil iletrado. Seu vertiginoso sucesso não é, decididamente, um fato tupiniquim. Estudiosos, como Gabriel Perissé, mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo, explicam o fenômeno.
No auge da crise da modernidade em que mergulhamos, todos anseiam confusamente pelo retorno ao mundo das tradições, das revelações. Algo que nos dê uma fé: o milagre é possível. Ou que nos dê uma vitória sobre o caos: a magia é possível, escreveu. A idéia resume o pulo do gato ou melhor, do Coelho. Com um discurso simples, ele consegue fazer com que cada leitor entenda que há obstáculos, mas também esperança.
"Caminho todo dia e uma vez por semana subo uma montanha, treino tiro ao alvo com arco e faço meditação. E, claro, escrevo."
Na eficácia de sua mensagem, a coelhomania prospera. Duas mil pessoas prestigiaram o lançamento de Onze minutos, no ano passado, na livraria Borders de Londres. O escritor brasileiro deu mais autógrafos do que o jogador inglês David Beckham, que tinha lançado livro na semana anterior. Atravessei a linha do sucesso global. Estou no mercado há 15 anos e não sou autor de um livro só, vangloria-se.
Com 16 livros de sucesso consolidado o último, o infantil O gênio e as rosas,
com Mauricio de Sousa, lidera as vendas desde que foi lançado, há sete semanas , ele virou grife e pode se dar ao luxo de cometer ousadias, como jogar no mercado dois títulos num mesmo ano. Na França, enquanto Onze minutos começava sua trajetória, ele lançou Maktub. Me arrependi. A Alemanha queria lançar Maktub lá também e não permiti.
Não se pode canibalizar o mercado, isso mata o autor, penitencia. Porém, os franceses desmentiram a tese. Maktub brilha, há 11 semanas, na lista de jornais como o LExpress. Como desdobramento, Coelho virou branch a tradução literal seria ramo, mas que significa faturar royalties com o próprio nome , um bico profissional praticamente dominado por esportistas. Ele exibe um projeto finamente encadernado de um agente sueco que propôs dar seu nome a produtos como canetas, suíte de hotel, café literário.
Não topou. Simplesmente perdeu a paciência com o esnobismo do agente e acabou puxando um insólito diálogo: Peter, quem é mais rico, eu ou você? A resposta: Você, claro. Coelho: Quantas vezes? Ele: Umas 30. Coelho: Não, está errado. Devo ser mais rico umas 40 vezes, mas não fico falando sobre isso. O que você quer me provar? O escritor explica que é vítima constante de name dopping, nome dado a quem não pára de se auto-valorizar. Perto de mim, as pessoas ficam inseguras e querem se mostrar. Detesto isso, diz.
Escrito por Cassiano às 19h37
[]
[envie esta mensagem]
|

Mauren Motta
11/06/2004
Escrevendo com o coração
Admiro os compositores e os escritores. Traduzir sentimentos em palavras para a pessoa amada é um talento. Sempre tive vontade de tocar a alma, com calma, do meu bem-amado. Sempre quis dizer e compor versos felizes. Fazer dinheiro com sentimento, então, deve ser tipo incrível! Já pensou juntar as duas coisas em uma só?
Deixa eu me explicar melhor: imagine você, depois de uma noite daquelas, ter de compor uma canção? Às vezes vem do nada ou pode demorar uma carrada. Um minuto de inspiração pode valer um milhão. Mesmo que a frase chave de todo o seu sucesso diga apenas que você não tá nem aí. Como medir e descobrir o que vai colar no ouvido e tocar o coração?
Que seja eterno enquanto dure, dizia o poeta. Trocadilhos nessa hora são engraçados, mas dispensáveis. O fato é que se você tem uma gata do lado, um homem pra chamar de seu, tudo fica mais lindo. O mundo amanhece colorido, o que é cinza vira rosa. O tempo parece curto para tanta empolgação.
E é nessa hora que as idéias pulam do coração para o papel com a maior naturalidade do mundo. Existem pessoas que não ligam para o amor ou as relações. Deixam escapar momentos incríveis por não querer se entregar, uma perda de tempo. Pra que tanto resguardo e tanta preservação? Somos pessoas e não instituições. Não ter vergonha de dizer que gosta é uma virtude.
Vida louca vida, vida breve. Cazuza sabiamente escreveu nos seus versos o que sabemos na prática. Ele e o Renato Russo, poetas e mestres da minha geração, partiram cedo e produziram com a ansiedade de quem vai viver pouco. O legado deixado ainda vai embalar muitos amantes apaixonados que nem mesmo saberão quem eles são. No toque do celular do meu namorado está "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". Parece brega, mas não é. Ele sabe muito bem o que isso significa. Nos apropriamos desta frase, para escrever a nossa história e deixar sem data marcada ou compromisso firmado. O hoje vale mais que o amanhã, até porque, como saber o que vai acontecer?
Pra mim, amor foi feito pra dar e não pra prometer. Amanhã, dia 12 de junho, devemos lembrar disso. Preparar um verso, escrever um texto ou simplesmente dizer o que sentimos. Dar uma de poeta uma vez na vida, não custa nada. Então aí vai: para o meu guardião amado, um sorriso rasgado, um verso falado. Gustavo, tenha um feliz dia dos namorados.
mauren@rbstv.com.br
Escrito por Cassiano às 08h30
[]
[envie esta mensagem]
|

Matador
Don Juan dos tempos modernos, Ronaldo prova que também é um fenômeno fora de campo. A nova musa do craque é a modelo Daniela Cicarelli
Marco Senna
Fenômeno, também, na arte da sedução, Ronaldo segue colecionando namoradas com a mesma facilidade com que dribla seus marcadores antes de fazer mais um gol. Don Juan dos tempos modernos (apesar da careca), o astro da seleção brasileira acaba de eleger sua nova musa: a estonteante apresentadora da MTV Daniela Cicarelli, conforme antecipou a colunista Lu Lacerda, do Caderno D do DIA.
O novo casal vip da praça foi visto, quarta-feira, à noite, badalando no Club Heaven, em São Paulo. Em meio a um clima de romance no ar, os dois não se desgrudaram. E para não fugir à regra, o astro do Real Madrid curvou-se à beleza de mais uma loura, sua obsessão.

Juliana Ferra garantiu ter sido amante do artilheiro durante dez anos
Com a ascensão de Cicarelli (a esportista-modelo também carregará a tocha olímpica) ao posto de número um de Ronaldo, a apresentadora de televisão Lívia Lemos, com quem o Fenômeno vinha circulando nos últimos tempos, virou mais um caso do passado. Uma paixão que vingou só enquanto Lívia ganhou a mídia como capa da revista Playboy. O amor é lindo, mas, para o astro, dura pouco.

Susana Werner foi noiva do jogador. Hoje é a mulher do goleiro Júlio César
Sinônimo de projeção social, Ronaldo sempre foi disputado por louras. Nem bem havia conquistado fama internacional, ele se envolveu num rumoroso affair com a mineira Nádia França, que viria juntar-se à paulista Viviane Brunieri para, na carona do amado, virarem celebridade como As Ronaldinhas. O Fenômeno morou com Nádia, na Holanda, e só não foi pai no início de carreira porque a namorada (hoje, mulher do atacante Alex Alves, do Vasco) perdeu a criança.

Milene Domingues foi mulher de Ronaldo durante quase quatro anos e é mãe de Ronald

Já na condição de melhor jogador do mundo, o craque se apaixonou, em 96, pela modelo Susana Werner (atualmente, senhora Júlio César), com quem teve um relacionamento de três anos marcado pelo ciúme.

Lívia Lemos ganhou a capa da Playboy com texto de apresentação do Fenômeno
A vida de solteiro do astro teve curta duração. Por ocasião da Copa América de 99, Ronaldo começou a namorar a Rainha das Embaixadas, Milene Domingues. Os dois se casaram em dezembro daquele ano, e o filho Ronald nasceu em abril de 2000, na Itália.
Mas o matrimônio ruiu, em 2003, sob insinuações de traição de ambos os lados. Na onda da separação, apareceu a advogada Juliana Ferraz, revelando ao mundo ser uma amante de 10 anos do astro, a ponto de ter se submetido a dois abortos de filhos do Fenômeno.

As Ronaldinhas Nádia e Viviane tiveram caso com o craque e formaram uma dupla
Cobiçado, por ser famoso e milionário, Ronaldo passou a ser, em Madri, o sonho de consumo de muitas donzelas. Preocupada, a ex-spice girl Victoria Adams, mulher do inglês David Beckham, declarou que não gostaria de ter o brasileiro como vizinho; seria má influência para o marido.

Mireia Canalda, modelo espanhola, foi apenas mais um caso relâmpago
Recentemente, a modelo catalã Mireia Canalda chegou a flertar com Ronaldo. O romance não durou mais do que algumas semanas. Das beldades escolhidas pelo Fenômeno, a única que afirma ter resistido foi a apresentadora de TV Fernanda Lima. Será?

Fernanda Lima, apesar dos boatos, nega que tenha tido um affair com o Fenômeno
Escrito por Cassiano às 08h29
[]
[envie esta mensagem]
|

Exagerado
Depois de 14 versões de roteiro, chega ao cinema Cazuza O Tempo Não Pára, filme sobre a vida do polêmico cantor, vivido com perfeição por Daniel de Oliveira
Flávia Motta

Dentro do Túnel Zuzu Angel, Daniel Oliveira posa depois de cena em que o carro fica sem gasolina
A tão falada performance de Daniel de Oliveira como protagonista em Cazuza O Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, pode ser entendida na frase de Lucinha Araújo, mãe do artista: É de dar nervoso. Houve momentos em que João (Araújo, o pai) ficou na dúvida se a cena era com Daniel ou Cazuza. É nesse clima de é ou não é que o filme estréia hoje nos cinemas. Abrangendo pouco mais de 10 anos da vida de Agenor o nome de batismo , o longa pode deixar entre os fãs a sensação de que algo ficou de fora. E ficou mesmo, muita coisa. Mas, segundo Lucinha, porque sua vida era intensa demais para ser contada em 90 minutos. Daria uma novela.
Contar a história do poeta não deve ter sido fácil. Houve 14 versões de roteiro. Queríamos o cara que estava no lugar certo, na hora certa, mas, às vezes, fazendo coisas erradas, explica Victor Navas, que divide o roteiro com Fernando Bonassi. E entre as coisas erradas incluem-se as noites de bebedeira, o uso de drogas, problemas com a polícia e uma certa promiscuidade.

No palco, cena de Ideologia, último show
Amigo de Cazuza, o produtor musical Ezequiel Neves ficou satisfeito. O filme é completo, redondaço, perfeito, emocionantíssimo, exulta. Redondo, mas nem tanto, já que uma das ausências mais sentidas na fita é a de Ney Matogrosso, o primeiro a gravar música de Cazuza e dirigiu seu último show, além de ter namorado o poeta. Soube que Ney ficou chateado. Ele foi muito importante, teve uma história linda com meu filho e ficou do lado dele até o último suspiro. Quem sabe disso, vai sentir falta, acredita Lucinha.
Ezequiel divide o filme em duas partes: A primeira é solar, com Cazuza no Circo Voador, no Baixo Leblon. Depois da doença, fica noturno, pesado, mas não melodramático. Antes dos sintomas da Aids, Cazuza é retratado como farrista, capaz de irritar os parceiros do Barão Vermelho nos ensaios e atrasos de shows. A transição para a doença começa com uma febre após sair do Barão. E segue em ritmo menos acelerado, cada vez mais comovente. Muito pelas dores de Cazuza e sua crescente fragilidade. Mais ainda pelo sofrimento de Lucinha.
Talvez seus contemporâneos se identifiquem mais com a fase saudável do poeta. Mas a trajetória da Aids comove. E, embora o filme termine sem a morte de fato (1990), a cena que representa Cazuza se despedindo da vida compensa ausências da fita.
Escrito por Cassiano às 08h29
[]
[envie esta mensagem]
|

Eduardo Suplicy e Heloísa Helena ignoram o bate-boca e fazem carinho
Nem tudo foi agressão ontem no Congresso. Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Heloísa Helena (P-SOL-AL) protagonizaram um momento de, no mínimo, puro carinho e, em meio à sessão de violento bate-boca, encontraram um tempinho para trocar um caloroso beijo.
Cavalheiro, Suplicy, separado da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, também aproveitou a discussão da PEC dos vereadores para elogiar a senadora e o Partido do Socialismo e da Liberdade, que ela criou com outros parlamentares expulsos do PT.
O clima amigo entre os dois vem de longa data. No ano passado, quando lideranças petistas decidiam o destino da rebelde companheira, que se recusara a votar com a legenda na Reforma da Previdência, Suplicy se desdobrava em defesas a ela. Em julho, a alagoana foi afastada da bancada do partido, mas não deixou de retribuir os desvelos do senador com outro beijo em plenário.
A senadora tem surpreendido seus colegas. Recentemente, causou sensação ao comparecer com visual totalmente diferente à Casa. Ela trocou seu uniforme calça comprida e camisa branca por um vestido de crepe, que deixava os joelhos à mostra, e salto alto.
O amor é lindo, ainda mais entre dois senadores da República, não?
Escrito por Cassiano às 09h27
[]
[envie esta mensagem]
|

Mengão demolidor
Flamengo vence o Vitória por 1 a 0 e agora só precisa de um empate no Rio para decidir a Copa do Brasil com o Santo André
SALVADOR - O Flamengo está a três passos, ou melhor, a três jogos, do paraíso, do prêmio de R$ 1 milhão e da vaga para a Libertadores de 2005.
Ontem à noite, no primeiro jogo pela semifinal da Copa do Brasil, o time carioca venceu o Vitória por 1 a 0 (gol de Fabiano Eller), em pleno Estádio Barradão, em Salvador, acabou com a invencibilidade da equipe baiana jogando em casa e, agora, se classificará para a decisão com um empate no jogo de volta, quarta-feira, no Maracanã. O primeiro finalista já foi definido. O Santo André, que havia perdido o jogo de ida por 4 a 3, despachou o 15 de Novembro-RS, por 3 a 1, e já assegurou sua vaga.
O primeiro tempo ficou marcado por faltas violentas do Vitória e também pela bela atuação de Júlio César. Empurrado por sua torcida o Barradão estava completamente lotado , o time baiano assustou logo nos primeiros momentos. Aos 5 minutos, Cléber cobrou falta, a bola cruzou a área, Douglas Silva tentou cortar, e quase fez gol contra. A trave salvou o Rubro-Negro carioca.
O jogo deixava muito a desejar no quesito técnica. Ambas as equipes erravam passes e demonstravam pouca inspiração. Ainda assim, foi o Vitória que criou as melhores chances. Aos 27, Cléber entrou na área e finalizou bem, para boa defesa de Júlio César. No lance seguinte, Obina quase abriu o placar. Novamente, o goleiro do Flamengo salvou a pátria.
Felipe parecia pouco inspirado e praticamente não apareceu na primeira etapa.
O segundo tempo começou equilibrado, mas sem grandes emoções. Aos 37, a glória e o gol do time carioca. O goleiro Juninho saiu jogando errado, Juliano serviu Fabiano Eller. O zagueiro bateu, a bola desviou em Adaílton e entrou: 1 a 0.
Ontem, a diretoria anunciou o pagamento dos salários atrasados do mês de março e também o acerto do direito de imagem de março e o 13º salário.
Pela Libertadores, o São Paulo, jogando no Morumbi, empatou em 0 a 0 com o Once Caldas, da Colômbia.
Escrito por Cassiano às 09h27
[]
[envie esta mensagem]
|

Leticia Wierzchowski
10/06/2004
Cannes et cummings
Deus me livre de fazer aqui uma simplificação grosseira, dessas que encontramos tanto e cada vez mais pela vida, mas há algo de triste no fato de Michael Moore ter ganho a Palma de Ouro em Cannes neste ano. Eu ainda não vi Fahrenheit 9/11, portanto meu raciocínio aqui nada tem a ver com o filme.
Eu até aprecio o Michael Moore; é saudável a crítica que ele faz a uma cultura tão dominadora e cega quanto a americana, e a um presidente cujas idiossincrasias estão levando para as cucuias o frágil equilíbrio do mundo ocidental. Mas o caso é que estamos andando sobre arame farpado e, nesta aventura louca a dois mil metros de altura, corremos o risco de deixar cair no abismo um monte de coisas imprescindíveis à leveza de simplesmente existir.
O triste é que um festival de cinema abrace para si a tarefa de dar respostas políticas nesse nosso mundo onde todos estamos atolados de política até as orelhas. Ou seja, a criatura quer lirismo, e lá está o Michael Moore bradando sua bandeira contra os EUA.
Eu, pelo menos, queria lirismo, nem que fosse na tela do cinema, nem que fosse na tela do cinema em Cannes, um dos baluartes da arte em toda a sua elegância e, porque não, em seu resplendor. e. e. cummings tem um poema perfeito sobre isso. Um poema de puro cristal sobre a magia de tudo que não pode ser medido, nem pesado, nem ajustado às normas tão tristes daquilo que é político (correto ou não) nesta abstração à qual chamamos vida. Foi nesse poema que eu pensei quando vi o resultado de Cannes e, recortando um pouco do começo, é mais ou menos assim:
"... quando os espinhos olharem as suas rosas alarmados, e os arco-íris estiverem seguros contra a velhice, quando um tordo não puder cantar nenhuma lua nova se todas as corujas não tiverem aprovado sua voz - e qualquer onda assinar sobre a linha ponteada senão um oceano é obrigado a fechar; quando o carvalho pedir licença à bétula para criar uma bolota - os vales acusarem as suas montanhas de terem altitude - e março denunciar abril por sabotagem; então acreditaremos nessa incrível humanidade inanimal (e não antes.)."
Então que o meu desconforto não tenha nada a ver com Moore e seu Fahrenheit. É que eu estava esperando alguma coisa como rosas e tordos, vales e montanhas; mas infelizmente o mundo atual não guarda mais importância para estes vagos milagres obsoletos.
leticia.wierz@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 09h26
[]
[envie esta mensagem]
|

Luis Fernando Verissimo
10/06/2004
Burrice
Que mulher é mais inteligente do que homem ninguém discute. Bom, talvez alguns homens, mas só para provar como são menos inteligentes. Tem um fato, no entanto, que parece desmentir essa superioridade feminina. Não sei se as estatísticas confirmam, mas é evidente que existem muito mais novos fumantes entre as mulheres do que entre os homens. E quem começa a fumar, hoje, só pode ser burro.
No número total de fumantes no mundo, imagino que os homens ainda batam as mulheres. Mas é muito mais comum ver-se meninas adolescentes fumando do que meninos. Talvez esta desproporção já existisse e as meninas fumassem mais, mas escondidas. Hoje fumam abertamente, em toda parte, e sem parar. E como são adolescentes, pertencem à primeira geração de fumantes que não pode ter nenhuma dúvida sobre o mal que o cigarro faz.
Outras gerações de adolescentes começavam a fumar para imitar os adultos, para se sentirem adultos, para serem sofisticados e porque, pelo menos depois dos primeiros acessos de tosse, era bom, e pouco ligavam para a alegação careta e não provada de que podia encurtar suas vidas. Hoje, que cigarro mata é não apenas uma certeza mas uma certeza universalmente difundida e conhecida. E mesmo assim as meninas começam a fumar.
Velhos fumantes não podem ser chamados de burros. Quando se tornou insofismável que fumar dava câncer e matava de outras maneiras terríveis, já estavam fisgados. Só podemos (nós que, sem sermos gênios, adivinhamos desde cedo que aspirar fumaça não podia fazer bem) ser solidários com a sua luta contra o vício, ou com a sua resignação. Mas quem começa a fumar sabendo tudo o que sabe, desculpe: é burro. No caso, burra. Para não enveredarmos pela hipótese de que se trata de uma geração suicida.
Escrito por Cassiano às 09h26
[]
[envie esta mensagem]
|

Paulo Sant'ana
10/06/2004
Um belo exemplo
Peço um obséquio aos leitores: leiam com atenção este e-mail que me envia um juiz de Direito encarregado de presidir a administração de penas dos detentos da comarca de Santa Maria. É um impressionante relato de como com jeito e sensibilidade se pode chegar a excelentes resultados nas relações humanas.
Eis o e-mail: "Prezado Sant'Ana. Não li a coluna de sábado, mas dela ouvi falar.
Concordo que a população em geral está se lixando para o que acontece dentro dos presídios, afinal muitos pensam que preso bom é preso morto.
Como juiz das execuções criminais, tenho convivido com essa realidade desde 1997. Os presos sabem desse sentimento da sociedade. Sentem a exclusão e vez que outra dão o troco.
Tenho tentado mudar esse quadro. Uma vez, na cidade de Santa Rosa, pessoalmente convidei vários empresários (esses que são sempre assaltados etc), homens e mulheres de bem, para um café, num sábado pela manhã. Depois de aceito o convite, disse-lhes que a refeição seria servida dentro do presídio, local onde eles nunca haviam estado. Uns 40 compareceram, vários por curiosidade. O café, bolinhos, chimarrão, pipoca etc., tudo preparado pelos presos.
Eles olharam as celas, os banheiros, as condições do cárcere. Ficaram todos impressionados. Separei 10 presos para que contassem sua história até a prisão. Crimes graves e leves. Presos jovens e velhos, homens e mulheres. Manifestação cara a cara, olho no olho, no refeitório do presídio. Quando o terceiro ou quarto preso estava falando, vários empresários começaram a lacrimejar, sensibilizados pelas histórias sofridas e pela dor que somente se sente dentro da prisão.
Foi uma experiência interessante ver vítimas e bandidos chorando junto. Essas pessoas depois me ajudaram a recuperar os apenados. Passaram a acreditar que isso é possível. Melhoramos as condições do presídio. Conseguimos cursos e empregos. As pessoas querem a morte dos presos (ou não dão importância) porque nunca estiveram dentro de uma prisão e não têm a menor idéia do que se passa lá dentro. Um abraço, (ass) Sidinei José Brzuska, juiz de Direito da Vara das Execuções Criminais de Santa Maria".
Pelo relato acima, não é difícil entender que os presidiários se encontram sob custódia do Estado. Custódia quer dizer guarda, proteção.
Ou seja, a responsabilidade de tornar os detentos párias ou pessoas profícuas e recuperadas e regeneradas é do Estado.
Tudo que acontece dentro de um presídio é responsabilidade do Estado.
Agora mesmo a Superintendência dos Serviços Penitenciários gaúchos está realizando um convênio exemplar com a São Paulo Alpargatas, pelo qual 1,3 mil presos estão produzindo bolas de futebol dentro dos presídios gaúchos.
Os apenados recebem R$ 2 por cada bola costurada, têm assim uma atividade remunerada e ainda, para cada três dias de trabalho, terão um dia de redução de pena.
Segundo a Secretaria da Segurança, por vários convênios com empresas públicas e privadas, já são 9 mil os detentos que trabalham nos presídios gaúchos, numa população carcerária de 20 mil. Essa é uma excelente iniciativa das nossas autoridades.
Comprova-se que, se o Estado se organizar, haverá educação e trabalho prisional nos cárceres.
Os assassinatos, as torturas, a lei do mais forte só reinam nos presídios quando o Estado, por omissão, torna o ambiente carcerário deletério.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 09h25
[]
[envie esta mensagem]
|

A infidelidade das mulheres
Não é verdade que todas as mulheres traem. Tenho um amigo, um grande amigo, que formou essa convicção e a propaga por onde vá. Para ele, até as mães traem. Meu amigo argumenta, meu amigo apresenta números, muitos já estão convencidos de que tem razão. Sempre sustento que não, não mesmo, algumas mulheres não traem.
Dias atrás, meu amigo veio com um recente trabalho científico realizado na Grã-Bretanha. O professor Tim Spector, da Unidade de Pesquisa de Gêmeos, do St. Thomas Hospital, estudou duplas de gêmeas e descobriu que, se uma delas tiver histórico de infidelidade, a irmã acumulará 55% de chances de ser infiel também. Ou seja: a infidelidade é genética, nas mulheres. Talvez até exista o gene da infidelidade feminina. Isso nos levaria a concluir que a traição é uma fatalidade biológica - as mulheres seriam infiéis porque a Natureza assim as fez.
Mas, não. Não é possível. Não acredito nisso. Acredito inclusive que, certas mulheres probas, honestas, puras (sim, puras, por que não?) lutam com bravura contra seus próprios instintos e, numa prova de superação, não traem. Acreditar que as todas as mulheres traem seria como acreditar que o futebol gaúcho é tosco por hereditariedade, que aqui é uma terra de volantes embrutecidos e retrancas furiosas e jogo sempre feio. Não! Não é! Só estamos atravessando uma fase árida. Temos nossos Ronaldinhos, temos nossas santas. Eu acredito. Sim, acredito!
david.coimbra@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 06h49
[]
[envie esta mensagem]
|

Xô, Satanás!
Flamengo não teme o Vitória e nem seu principal craque, o Capetinha Edílson, e garante que joga para vencer a semifinal da Copa do Brasil, hoje, em Salvador
Janir Júnior
O Flamengo enfrenta o Vitória, hoje, às 21h45, no Estádio Barradão, em Salvador, na primeira partida pela semifinal da Copa do Brasil. É mais do que um simples jogo de futebol. É o jogo dos milhões, afinal, um bom resultado deixará o time mais próximo da decisão e do título, que vale R$ 1 milhão. É também o jogo da forca.
Abel Braga está com a corda no pescoço no Brasileirão e um resultado ruim pode fazer a cabeça do técnico rolar. É ainda o jogo do exorcismo: os jogadores querem esquecer de vez a goleada de 5 a 1, sofrida há exato um mês, e a imagem do Capeta Edílson, que, na ocasião, marcou dois gols.
Foi-se o tempo em que o futebol era apenas o jogo da paixão. Agora, o amor está ligado às cifras. E o discurso na Gávea é unânime: além da conquista e da vaga para a Libertadores de 2005, o título vale dinheiro. Seria uma combinação perfeita: campeão no currículo e dinheiro para o clube poder pagar aos jogadores. Isso serve como uma motivação a mais. Afinal, todo trabalhador tem que receber seus salários, destacou Felipe.
O experiente Zinho, tricampeão da Copa do Brasil defendendo Flamengo, Grêmio e Palmeiras, tem a mesma opinião. Até o dia 30 (data da final), temos de esquecer os salários atrasados e outros problemas. Essa é a oportunidade de conseguir as cotas de dinheiro e fazer com que o clube cumpra com suas obrigações, destacou o jogador.
A tática para o jogo dentro das quatro linhas está definida. O time jogará nos contra-ataques, usando os laterais como elementos surpresas. Negreiros atuará quase fixo dentro da área. Felipe será o responsável pela armação de jogadas, mas também terá total liberdade para chegar próximo ao gol e arriscar finalizações. A zaga, formada por André Bahia e Fabiano Eller, terá a proteção de Da Silva, que atuará quase como um terceiro zagueiro.
Vamos sem nenhum tipo de receio. As chances são de 50% para cada lado. Nem lembro mais daquele 5 a 1, afinal não existem jogos iguais, afirmou Abel.
Será um jogo de 180 minutos. A segunda partida está marcada para quarta-feira, no Maracanã. E um detalhe pode mudar toda a estratégia. Felipe está com dois cartões amarelos e, caso receba o terceiro hoje à noite, estará suspenso do próximo confronto. Da Silva está na mesma situação.
Tudo isso faz parte do jogo. Um jogo que envolve paixão, dinheiro e revanche pela última goleada. Para o Flamengo um jogo de vida ou morte.
Escrito por Cassiano às 06h47
[]
[envie esta mensagem]
|

E tudo vai acabar num arraiá
Para mostrar que o Governo está unido, presidente fará festa junina na Granja do Torto
Renata Giraldi

BRASÍLIA - No sábado, tem arraiá na Granja do Torto. E o ritmo da viola vai ser um só: mostrar que o Governo está unido e afinado, apesar das brigas internas. A primeira-dama é quem está organizando o superevento. O local é o mesmo onde são realizados encontros com autoridades estrangeiras, reuniões ministeriais e churrascos, inclusive com artistas. Mas, por ordem da anfitriã, o assunto política não deverá ser tocado pelo menos durante a festa.
Convites restritos, os ministros, os líderes e alguns dos amigos mais chegados já receberam a convocação: a entrada será um pratinho de salgado ou doce. Exatamente como se faz nas festas de bairro e no interior do País. Desacostumado a freqüentar festas juninas, um ministro recomendou ontem à secretária que providenciasse a entrada da festa. Atarefada, a funcionária passou boa parte da manhã levantando alternativas. Também desconcertado, um outro ministro não sabia como lidar com o assunto: Nem estou sabendo direito como é que vai ser isso. Mas eu vou, claro.
Dona Marisa deixou os convidados livres: podem optar ou não pelo traje típico de festa junina. Independentemente da roupa escolhida, os convidados deverão se agasalhar, o frio seco de Brasília tem feito os termômetros baixarem para 14 graus à noite.
Notívagos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dona Marisa provavelmente vão querer estender o arrasta-pé madrugada adentro. É só lembrar de outras comemorações em que a Granja do Torto, espécie de casa de campo dos presidentes da República, foi palco. Em março, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, o alemão Horst Köhler, foi homenageado com um churrasco regado a cerveja nacional e vinho chileno. Um mês depois, o presidente ouviu antigos boleros, como Dama de Vermelho, com a dupla sertaneja Bruno e Marrone. A cantoria aconteceu durante uma entrevista ao SBT, mas, após o trabalho, o anfitrião e os convidados saborearam churrasco com feijão tropeiro.
A dúvida é saber se para o arraial de sábado estão mantidos o tradicional quentão e as inúmeras batidas de frutas típicas de festas juninas todas feitas com cachaça. Por sinal, em uma das maiores confraternizações do presidente com os petistas, a cachaça teve lugar de destaque. Uma das exceções foi o churrasco oferecido, em janeiro, a Zeca Pagodinho, quando a cerveja foi a bebida eleita. O convidado famoso fez questão de levar uma caixinha de isopor com várias latinhas. Onde eu vou, eu levo, comentou o artista.
Escrito por Cassiano às 06h46
[]
[envie esta mensagem]
|

autor@paulocoelho.com.br
O filósofo e o governo
Hoje em dia, em todos os países, nos acostumamos a escutar com respeito e reverência os chamados cientistas políticos como se a política fosse algo igual à matemática ou à física seguindo uma série de regras lógicas e racionais. Se assim fosse, não estaríamos vendo a violência na América Latina, a miséria na África, os confrontos religiosos espalhados pelo mundo inteiro, os americanos e iraquianos mortos em nome de uma causa perdida e de uma guerra arbitrária. Se política fosse uma ciência, mesmo inexata, bastaria aplicar algumas equações certas e conseguiríamos empurrar adiante a civilização e o ser humano.
Estamos cansados de saber que tal raciocínio é absolutamente irreal; e, por causa disso, quanto mais o povo escuta falar do tema, mais associa a palavra política a coisas negativas.
Isso é injusto. Existe muita gente bem-intencionada procurando fazer o melhor por seu país e por seu povo. Mas o sistema político, tal como vemos hoje em dia, entrou em um círculo vicioso, que pode nos levar de novo à idade das trevas; um povo cansado de ver suas esperanças frustradas, perdido entre as incompreensíveis e contraditórias análises dos cientistas políticos, termina buscando um Messias ao invés de um governante, e assim voltam os ditadores.
Escrito por Cassiano às 20h13
[]
[envie esta mensagem]
|
continuação
O que é a política, no meu entender? Um sistema de valores morais, discutidos livremente pela sociedade e colocados em prática, não pela força, mas pelo bom senso é melhor obedecer a algumas regras, que ver tudo a sua volta transformar-se em caos.
Meio século antes de Cristo, nasceu na China um homem que jamais ocupou um cargo importante, mas que baseado simplesmente em sua observação pessoal e em suas conversas com o povo resolveu dedicar grande parte de seu trabalho a compreender a relação entre os governantes e os governados.
Todos nós já ouvimos o seu nome: Confúcio. Vale a pena lembrar alguns de seus ensinamentos, que atravessaram milênios, iluminaram alguns dos governos mais importantes da história e continuam mais atuais que nunca (algumas frases estão adaptadas ou condensadas):
Quando estamos diante de pessoas dignas, devemos tentar imitá-las. Quando estamos diante de pessoas indignas, devemos olhar para nós mesmos e corrigir nossos erros.
Em um país bem governado, a pobreza é algo que envergonha. Em um país mal governado, a riqueza é algo que envergonha.
As mudanças podem acontecer lentamente; o importante é que continuem acontecendo.
O homem passa sua vida inteira tentando complicar algo que é simples: as relações humanas.
Nunca dê uma espada a um homem que não é capaz de sorrir e dançar.
Estude o passado, se você quer adivinhar o futuro.
Quando o objetivo de um governante parece muito difícil, ele não deve mudar de objetivo mas encontrar um novo caminho até sua meta.
O bom líder sabe o que é certo; o mau líder sabe o que vende melhor.
Não existe nada de errado em tentar melhorar sua condição no mundo, desde que você se dê conta que não pode fazer isso sozinho; para crescer, precisa de aliados que cresçam juntos.
Cinco condições são necessárias para o bem-estar do povo: seriedade, honestidade, generosidade, sinceridade e delicadeza.
Quem escuta comentários maldosos, mesmo que seja por curiosidade, em breve se transformará em um homem mau.
12) A virtude não nasceu para viver sozinha. Todo aquele que a pratica terminará cercado de vizinhos.
Escrito por Cassiano às 20h13
[]
[envie esta mensagem]
|

Bancos de ficção científica
Feira apresenta sistemas de identificação por características físicas, como no cinema, e caixas eletrônicos que lêem cheques
Wallace Faria
Executivos mostram o Zyt, equipamento que lê a impressão digital
SÃO PAULO - O futuro dos bancos será inspirado no cinema. Os caixas eletrônicos que vêm por aí dispensam as senhas, utilizando a impressão digital ou uma piscada em frente a um visor para dar acesso à conta e fique tranqüilo, porque órgãos arrancados não valem. É a biometria forma de identificação por características físicas, que deu o tom da feira Ciab 2004, de tecnologia para o setor financeiro.
Inovações como essas dividiram espaço com o caixa eletrônico que lê os cheques, dispensando a compensação; o terminal que conta maços de 100 notas, aposentando os envelopes; e sistemas do tipo Big Brother, que acompanham os passos do correntista, bloqueando a conta em caso de saque suspeito.
Um dos lançamentos é o Zyt, que faz a identificação pela impressão digital. Márcio Lima, diretor da Tauá Biomática, diz que levou em conta as cenas dos filmes de ficção científica, nas quais bandidos cortam dedos das vítimas para acessar os dados: O leitor é térmico. Um dedo arrancado não tem a temperatura necessária para ativá-lo.
Um outro sistema, lançado pela Politec, reconhece a íris do cliente. O olho é fotografado e essa informação vira um código. Da mesma forma, um olho morto não dá acesso à conta.
Além da identificação sofisticada, os caixas eletrônicos do futuro vão enxergar melhor. Os modelos da feira dispensam envelope para depósitos. A Itautec Philco tem um terminal que lê o cheque, dispensando a compensação, e outro que conta notas, rejeitando as falsas.
A segurança contra fraudes conta com o PRM, da empresa ACI. O sistema analisa o comportamento do cliente, dando pontos para atitudes fora do padrão. Ao extrapolar | |