
Ponto de vista: Stephen Kanitz
A razão da estagnação
"Muita gente leiga critica o elevado nível dos juros oferecidos pelo Estado, quando a verdade é outra, e vive afirmando que estamos pagando 9% do PIB em juros, quando o que se paga está mais próximo de 0%"
É assustadora a confusão disseminada pelo jornalismo econômico brasileiro. Quase todos os jornais estamparam como manchete de primeira página a recente decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de manter os juros devido à "volatilidade externa".
A verdade é que ninguém sabe se o Copom manteve os juros. Para dar essa notícia teremos de esperar um ano inteiro e aí verificar qual foi a inflação do período e descontá-la da taxa do Copom. Só então saberemos o nível dos juros deste país, para tomar, tardiamente, as decisões financeiras apropriadas.
Aliás, uma das razões dos juros altos é justamente esta: ninguém sabe ao certo qual será o verdadeiro juro que receberá dos títulos públicos nos próximos doze meses, um absurdo monumental.
Desde 1994, o Brasil adotou o chamado nominalismo econômico, em que os juros dependem da inflação futura, abandonando o realismo econômico de até então, quando os juros eram reais e não nominais.
Depois de 1994, todo investidor é obrigado a chutar, prever, adivinhar a inflação futura embutida na taxa do Copom. Ninguém tem mais certeza da inflação, nem dos juros. Como fruto dessa incerteza, os aplicadores acrescentam um prêmio de risco elevadíssimo para se precaver.
Se usarmos a inflação de maio como indicativo para o ano, o IGP-10 apontava uma inflação anualizada de 15%. Comparado com os 16% da taxa do Copom e descontado também o imposto de renda, o juro anual será menor do que zero, um juro real negativo. Por isso, temos hoje fuga de capital e volatilidade no câmbio. Ninguém quer perder dinheiro.
Como nada disso é noticiado pela imprensa, muita gente leiga fica criticando o elevado nível de juros oferecidos pelo Estado, quando a verdade é outra, e vive afirmando que estamos pagando 9% do PIB em juros, quando atualmente o que se paga está mais próximo de 0% do PIB, o extremo oposto.
Antes de 1994, para quem não se esqueceu, os títulos da dívida interna eram precificados por seus juros reais, e não pelos nominais como agora. Infelizmente, o governo FHC, não entendendo a essência do Plano Real, reimplantou o nominalismo econômico, cuja primeira conseqüência foi aumentar o risco e a incerteza quanto aos juros futuros. Na era do realismo econômico, os juros eram menores, justamente porque os juros reais eram transparentes e previamente conhecidos.
Quem está criando essa volatilidade toda não são os investidores estrangeiros, mas essa política econômica nominalista, que permite que o juro real flutue mês a mês, de forma imprevisível, numa volatilidade made in Brazil, que aumenta nosso risco à toa.
Tenho um título brasileiro de 1907 com juros de 4% ao ano, quando o capital era escasso e o Brasil, um fim de mundo. Por que pagamos mais do que o dobro hoje, num mundo com capital abundante?
Os 4% de 1907 eram reais e não nominais, eram denominados em barras de ouro, na época a melhor garantia contra a inflação, e rendiam 4% de juros transparentes e sem incertezas. Foi a eliminação do padrão ouro que introduziu o nominalismo econômico e resultou na recessão de 1929.
Escrito por Cassiano às 10h00
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Continuação
Para piorar essa situação, o governo FHC introduziu o nominalismo econômico também na taxação dos juros. Hoje, ninguém sabe ao certo como os juros serão taxados no final da aplicação, depende da inflação futura. O imposto se tornou volátil, pode ser 20% do rendimento dos juros, se não houver inflação, pode ser 50%, 60% e até 80%, se a inflação for elevada. Mais um risco que o investidor acrescenta aos juros.
O nominalismo econômico foi responsável pela crise da dívida externa mundial de 1983, pelo enfraquecimento do sistema bancário internacional, pelos equivocados Acordos da Basiléia, pelo surgimento dos fundos especulativos, pela volatilidade do nosso Bônus 40, pela aceleração da inflação, enfim, pela maioria de nossos problemas.
O abandono dessa escola nominalista reduziria de imediato nosso juro, traria títulos com juros precificados, como todos os demais produtos deste país, com uma taxação clara e conhecida. Temos muitos economistas competentes da escola realista, e eles são muito facilmente identificáveis. Basta perguntar qual o juro determinado pelo Copom que eles respondem: "Honestamente, não sei".
Daqui a um mês, quando noticiarem que o Copom "baixou" o juro, lembrem-se deste artigo. Vocês só saberão a verdade no ano que vem.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)
Escrito por Cassiano às 10h00
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Diogo Mainardi
Sem lenço nem documento
"Com menos direitos para os trabalhadores, menos impostos, menos investimentos públicos e menos programas sociais, o Brasil finalmente chegaria ao século XVIII. Uns trinta anos de capitalismo selvagem poderiam bastar para nós"
Que tal abolir o salário mínimo? O Brasil funcionaria melhor sem ele. Que tal abolir também a carteira profissional, as férias remuneradas, o imposto sindical, o décimo terceiro, a Justiça do Trabalho, a aposentadoria pública? Quem criou tudo isso foi a ditadura getulista. O autoritarismo do Estado Novo foi eliminado da política, mas sobrevive até hoje na economia.
O emprego com carteira assinada é o maior entrave para o crescimento do país. Custa caro demais para o empregador e confisca boa parte do salário do trabalhador. O modelo a seguir é outro: o do emprego informal. A informalidade é o que há de mais salutar na economia brasileira. Deve ser incentivada. Deve ser estendida a todos os setores produtivos. A informalidade no mercado de trabalho barateia a mão-de-obra, aumentando a oferta de emprego e melhorando a competitividade das empresas. Empresas mais competitivas seguram a inflação e sustentam a balança de pagamentos. Quer melhor do que isso?
Claro que nenhum trabalhador aceitaria abrir mão de seus direitos sem ganhar algo em troca. O poder público precisaria oferecer-lhe uma contrapartida. A única contrapartida cabível seria aumentar sua renda. Isso só poderia ser feito tirando dos ricos e dando aos pobres. Realmente rico, no Brasil, é o Estado. Então é dele que deveríamos tirar. O Estado teria de cortar os impostos. Quanto mais cortasse, mais dinheiro sobraria no bolso do trabalhador, que poderia escolher livremente em que gastar. Se quisesse férias, pouparia. Se quisesse uma pensão, faria um plano previdenciário particular.
A classe política alega que não dá para cortar os impostos porque isso prejudicaria sua capacidade de investimento. Qual o problema? De uma coisa todos os brasileiros sabem: os políticos investem mal. Destinam muito mais recursos à manutenção de seu próprio poder do que aos investimentos úteis. Com menos impostos a pagar e com menos gastos em mão-de-obra, a iniciativa privada poderia substituir o Estado nas obras de infra-estrutura. Quando uma empresa precisasse de um porto, construiria um porto. Quando precisasse de uma estrada, construiria uma estrada. O interesse das empresas nem sempre coincide com as necessidades da população. Uma coisa é certa, porém: pior do que está agora, não ficaria.
Os políticos reclamam também que a redução dos impostos acarretaria a anulação dos programas sociais. O país não perderia muito. O poder público oferece má educação, má saúde, má habitação, má segurança. O Brasil nunca terá dinheiro para montar uma rede de proteção social. Os políticos insistem em afirmar o contrário apenas porque usam as despesas assistenciais para a barganha eleitoral. Eles se elegem distribuindo cesta básica, restaurante popular, salário-família, carro-pipa, vale-transporte. A democracia brasileira se baseia na compra de votos. Como não temos tradição democrática, vendemos nosso voto por uma ninharia.
Com menos direitos para os trabalhadores, menos impostos, menos investimentos públicos e menos programas sociais, o Brasil finalmente conseguiria chegar ao século XVIII. Uns trinta anos de capitalismo selvagem poderiam bastar. Uns trinta anos de Adam Smith.
Escrito por Cassiano às 09h57
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Seleção quente
Acostumados com o inverno europeu, jogadores do Brasil não temem o frio em Santiago no jogo de amanhã, contra o Chile
SANTIAGO DO CHILE - Os jogadores da seleção brasileira não estão preocupados com o frio previsto para amanhã, às 21h30 em Santiago (22h30 no horário de Brasília), durante o jogo contra o Chile. Nem a comissão técnica, que não planejou nada especial para evitar esse problema na partida pela sétima rodada das Eliminatórias da Copa.
Acostumados a jogar no inverno europeu, os jogadores comentaram que a baixa temperatura não serve como desculpa para um eventual mau desempenho do Brasil. Santiago teve ontem a mínima de 8 graus e a máxima de 22. O serviço de meteorologia chileno anunciou a chegada de uma frente fria para hoje e amanhã, com mínima de 2 graus e máxima de 18. No horário do jogo, a temperatura pode apontar até 1 grau negativo.
Quando cheguei na Inglaterra (em 2000), meu primeiro jogo foi com 4 graus negativos. Sofri muito, depois me adaptei. Na partida contra o Chile estão falando em um frio de 1 grau. Não é um absurdo. Dá para suportar, a gente até corre mais, disse Edu, escalado por Parreira para substituir Zé Roberto, suspenso com o segundo cartão amarelo.
Edmílson é um pouco mais precavido. Joga no Lyon, na França, também sob baixas temperaturas. Eu uso uma pomada nos dedos do pé que aquece bem. No frio, o pé fica um pouco duro e a pomada ajuda, contou. O artifício usado por Edmílson não será adotado pela comissão técnica da seleção brasileira. Luís Rosan, fisiologista do time, revelou que não haverá nenhum grande cuidado com os atletas por causa do frio.
Estamos encarando esse problema do frio com muita naturalidade. São jogadores que atuam na Europa. Estão acostumados. Eles disseram que o frio não é problema. Se não é problema para eles, muito menos para nós, explicou Rosan.
Moracy Sant´Anna, preparador físico da Seleção, também não vê o frio como um grande problema, mas alterou seu plano de trabalho para o jogo de amanhã, no estádio Nacional.
Vou esticar um pouco mais o aquecimento dentro do campo. Normalmente, o trabalho é de 15 minutos. Vou usar mais cinco minutos. O problema é o intervalo de 20 minutos entre o aquecimento no campo até o jogo começar. Os jogadores descem para o vestiário, fazem as orações e dez minutos antes da partida, têm de perfilar para entrarem em campo e ainda tem o tempo que ficam parados para a execução dos hinos.
Escrito por Cassiano às 09h56
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A caminho da unanimidade
Ronaldo, com os três gols que marcou contra a Argentina, está cada vez mais perto dos recordes estabelecidos pelo Rei Pelé
BELO HORIZONTE - Não é segredo para ninguém que o Mineirão é o principal palco de Ronaldo no Brasil. Difícil era imaginar que o Fenômeno aproveitaria o ambiente familiar para aumentar seu recorde pessoal de gols contra a Argentina. Com os três que marcou na quarta-feira, o artilheiro chegou a cinco em seis confrontos contra nossos hermanos. Atrás apenas do Rei Pelé, que balançou as redes de nossos vizinhos oito vezes, em dez partidas.
Perder para o Rei não é vergonha para ninguém. Ainda mais que Ronaldo igualou a melhor marca do Atleta do Século em apenas uma partida. O Fenômeno fez três, todos de pênalti, é verdade, mesma quantidade de Pelé na Copa Roca de 1963. O jogo acabou 5 a 2 para o Brasil e o Rei fez três dois de pênalti.
O clube dos que marcaram três gols contra a Argentina num mesmo jogo tem outro sócio ilustre: o pentacampeão Rivaldo. Em 1999, num amistoso no Beira-Rio, em Porto Alegre, ele fez três na vitória de 4 a 2.
Maradona ganhou apenas um jogo contra o Brasil
Com os três gols que marcou ontem, Ronaldo chegou à ótima marca de 58 gols em 85 jogos. Média de 0,68 por partida. Os números são da CBF. Pelé tem 96 gols em 115 jogos, enquanto Zico fez 66 em 88 partidas e Romário único rival do Fenômeno ainda em atividade fez 59 gols em 73 partidas.
Do lado argentino, ninguém chega perto do Fenômeno. Muito menos do Rei Pelé. O principal goleador na história da seleção argentina é Batistuta, que ainda joga no Catar, mas está fora dos planos de Marcelo Bielsa. Pois bem: Batistuta tem 54 gols pela seleção, sendo apenas dois contra o Brasil em dez jogos.
O desempenho de Maradona contra os brasileiros é ainda pior. O pequeno gênio argentino que por lá é tratado como o maior jogador de todos os tempos fez só dois gols contra os pentacampeões. E em seis jogos, conseguiu apenas uma vitória.
Líder do ataque argentino na quarta-feira, Crespo foi uma peça nula. Mas em quatro partidas contra o Brasil, o atual centroavante da seleção de Bielsa já deixou o seu gol. E tem duas vitórias no currículo.
Só dois tinham feito três de pênalti no mesmo jogo
Segundo a Fifa, o camisa 9 é o terceiro jogador na história a converter três pênaltis em um mesmo jogo de Eliminatórias. Antes dele, dois europeus alcançaram a marca: o suíço Turkyilmaz, contra as Ilhas Faroe (5 a 1), em 2000, e o sueco Henrik Larsson na goleada sobre a Moldávia (6 a 0), em 2001, ambos durante as Eliminatórias de 2002. Até hoje, ninguém anotou três gols de pênalti em jogos de Copa do Mundo.
Maior artilheiro da história do Vasco e titular da seleção brasileira na Copa de 1978, na Argentina, Roberto Dinamite exaltou o desempenho do Fenômeno. Os três gols falam tudo. Apesar dos problemas de ligação entre meio-de-campo e ataque, as jogadas do Ronaldo foram fundamentais. Não é fácil converter três pênaltis. Aliás, ele fez quatro para valerem três, comentou.
Escrito por Cassiano às 10h48
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Como na Itália

A variedade de uma culinária que consegue unir sabor, fartura e, na maior parte dos casos, preços em conta
Espaguete com camarões da Trattoria, em Copacabana: opção campeã
A reprise da novela Terra Nostra, a partir de segunda-feira às 14h30, na Globo só vai confirmar: italianos têm boa fama à mesa. Além de farta, ela tem pratos muito saborosos em inúmeras versões. A começar por antepastos. Tem berinjela em tiras em tempero de alho e pimentão (filetto di melanzane), berinjela frita e em conserva (caponata), pasta de pimentão vermelho e alicce (sardella), entre outros.
No Turino, na Tijuca, alguns deles vêm no couvert (R$ 6,90), mas quem quiser ser mais direto pode pedir o antepasto misto da casa, que também vem com frios (R$ 19,90 para dois). De cardápio farto – são 600 opções! –, a casa serve sopas dentro do pão italiano, como o minestrone, de macarrão e legumes (R$ 11,90), ou o cappeletti in brodo, massa recheada com frango em caldo de legumes (R$ 14,50). Ainda tem ravióli em molho de tomate e manjericão (R$ 16,70) e pratos de carne, como o paillard com fettucine ao molho branco (R$ 23,50). A casa tem delicatessen para quem quiser se aventurar pela Itália em casa.
O mesmo clima tranqüilo do Turino tem o Al Legno, em Vila Isabel. Instalado num casarão antigo, chama atenção de quem passa pela Rua Maxwell, mas mais de quem entra para conferir seu cardápio. De cara, tem couvert com vitelinha em molho de alcaparra, conservas de pimentões e berinjela, mozarela de búfala, tomate seco e pizza branca (R$ 17,80).
Entre os pratos, filé ao gorgonzola com fettuccine verde (R$ 24,80), penne com atum (R$ 21,80), nhoque de salmão (R$ 21,80).
A culinária italiana ainda tem outra vantagem. Não é preciso luxo para se comer bem. Que o diga Mario Pautasso. Desde 1976 comandando a La Trattoria, em Copacabana, o divertido italiano faz questão de dizer que sua casa não é um restaurante, mas "um lugar para comer bem".
Entre as típicas toalhas xadrez e quadros de regiões da Itália, a refeição lá começa bem com os saborosos – e famosos – pães de alho (R$ 1,30) e segue por sugestões como o espaguete ou penne em molho de camarão (R$ 25,80), preparado com óleo tartufado que ele mesmo traz da Itália. Também boas opções são os pratos com cogumelos. Entre os mais pedidos, ravióli de queijo com cogumelos (R$ 18,50) e cavaquinha grelhada com risoni em creme branco (R$ 30,80).
Escrito por Cassiano às 10h46
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Nilson Souza 03/06/2004
À mais bela
Meu amigo foi ver Tróia e me recomendou, com um olhar de cumplicidade masculina:
- A Helena do filme vale uma guerra!
Depois que ele se afastou, fiquei pensando na sugestão. Nenhuma mulher - e nenhum homem também - vale uma guerra, por mais belos ou poderosos que sejam. As guerras destroem os valores essenciais da vida, entre os quais a própria beleza, que já é efêmera por natureza.
Helena, conta a lenda, era a mulher mais linda que a face do sol jamais contemplara. No dizer de um apaixonado historiador de mitologia que li outro dia, "seus olhos encerravam o mistério das noites e suas mãos pareciam feitas para amarrotar rosas". Mas não foi ela quem começou a guerra famosa entre gregos e troianos. De acordo com Homero, foi Éris, com o seu Pomo da Discórdia.
Como bem relatou aqui o nosso mestre Cláudio Moreno, a deusa má, esquecida numa festa de casamento (e no filme), lançou no salão de danças um pomo (maçã) de ouro, com a seguinte inscrição: "À mais bela". Três outras deusas se engalfinharam na disputa de vaidade: Atenas, a deusa da sabedoria; Hera, a deusa do casamento; e Afrodite, a deusa do amor. Zeus determinou que Páris, pastor e filho enjeitado de um rei, fosse o juiz do conflito. As três divindades tentaram suborná-lo, mas a oferta de Afrodite foi mais atraente. Ofereceu-lhe o amor de Helena, a mulher mais linda do mundo, que por coincidência - é sempre assim! - já era casada.
Daí à guerra foi um passo.
A beleza continua sendo uma deusa intrigante, nos dois sentidos da palavra. Se os homens vão ao cinema para ver a deslumbrante Diane Kruger, que interpreta Helena, as mulheres não escondem sua admiração por Brad Pitt de saiote, no papel do guerreiro Aquiles. E essa visão tão igual e tão diferente ao mesmo tempo costuma deflagrar outras guerras intermináveis, que envolvem vaidade, amor, desejo e ciúme.
Numa sentença tão antológica quanto cruel, Vinícius disse que a beleza é fundamental. Menos poeta e mais ponderado, costumo dizer que esta senhora tão desejada tanto pode ser uma bênção quanto uma maldição.
Depende do olhar que as contempladas pela natureza lançam sobre o pomo de ouro.
nilson.souza@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 08h19
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José Pedro Goulart 03/06/2004
Sobre a Sofia e um certo coração de vidro
Se você se chama Sofia, ou tem alguém querido com esse nome, por favor, não fique chateado comigo, mas a Sofia em questão aqui é uma cachorrinha que mora no pátio lá de casa. Sofia é uma mistura de alguma coisa com coisa nenhuma. Quando chegou, bem pequena, parecia uma bolinha de tênis, amarelinha, felpudinha e foi trazida para fazer companhia para a Brigite, uma outra vira-lata que, por sua vez, havia sido recolhida há mais tempo da rua, muito doente, raquítica, a cachorra mais magrinha que eu já vi.
Devo dizer que, apesar dos nomes de artistas de cinema, nos dois casos, isso foi só coincidência. Mas tenho certeza que a Brigitte Bardot, dado seu interesse pelos animais, ia até ficar feliz de ter uma xará porto-alegrense como a Brigite, uma cadelinha que sabe ficar na dela como ninguém, sequer late para não incomodar o dono. Quanto à Sophia Loren, não há dados disponíveis sobre sua preocupação por cães ou outros bichos. De minha parte, entretanto, meu interesse por ela desde guri (e pela BB também) sempre foi, digamos assim, latente.
Mas eu contava da Sofia, cadelinha acostumada a afagos diários, ela, até onde sei, é o único cachorro que ronrona feito gato. Basta dar-lhe uma coçadinha na barriga. Pode ser com o pé mesmo, que ela não é exigente. Ultimamente, porém, ela tem andado triste, muito triste, aliás. É que há alguns meses nasceu minha filha, e a Sofia, confesso, foi deixada um pouco de lado.
A Brigite não se importa muito, ela se acha no lucro: casinha, ração, água, um ossinho do churrasco e passarinho para correr atrás, tudo isso vem como um bônus extra, uma vez que a vida dela esteve por um fio. Mas a Sofia...Nesse último fim de semana ela apresentou um olhar de Rubinho Barichello, cabisbaixa, orelhas no chão, coisa de cortar a alma.
Lembrei de um livro que li quando criança, Coração de Vidro, de José Mauro de Vasconcellos. Nele os bichos sofriam com a indiferença ou a maldade dos donos. Recordo do imenso sofrimento que senti e também de algo que me intrigou: o coração de vidro do título era a respeito dos bichos, e representava como esse coração era frágil, quebrável, ou era a respeito de nós, humanos, de como podemos ficar impermeáveis a certas emoções?
Olhei para o lado, no chão, e minha filha de nove meses se divertia colocando a mão na boca da Sofia, puxando-lhe as orelhas, apertando-lhe o nariz. E a Sofia nem pensava numa pequena vingança, um arranhãozinho, uma mordidinha quem sabe. Apenas olhava para mim. Não era um olhar ressentido, muito menos desafiador, era apenas um olhar de saudade.
jose.pedro@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 08h16
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El Gordito
Ronaldo acaba com a Argentina em sua volta ao Mineirão: faz, de pênalti, os gols da vitória de 3 a 1 do Brasil, o novo líder. Imagine se ele estivesse fininho...
Marluci Martins
BELO HORIZONTE - Nada como ganhar da Argentina. Principalmente quando o resultado vale ao Brasil a liderança isolada (12 pontos) nas Eliminatórias para a Copa de 2006. Pois este é gostinho que os jogadores da Seleção estão sentindo desde ontem à noite, após a vitória de 3 a 1 sobre os eternos rivais sul-americanos, no Mineirão. Autor dos três gols, todos de pênalti, o gordinho Ronaldo foi o destaque do jogo. Imagine se estive magrinho...
O Brasil soube aproveitar melhor as oportunidades no primeiro tempo. Se a Argentina tivesse caprichado mais nas finalizações, o resultado teria sido outro. Logo aos 7 minutos, Dida e Juan bateram cabeça num cruzamento para Sorín. A bola sobrou para Crespo, mas Roque Júnior afastou o perigo.
Sem Ronaldinho Gaúcho, machucado, o time Parreira se ressentia de um jogador de criação. Para completar, Luís Fabiano não repetia o bom futebol apresentado no São Paulo. Kaká, Juninho e Ronaldo eram os que mais se movimentavam do meio para frente.
E foi numa jogada individual do Fenômeno que nasceu o primeiro gol. O atacante partiu em velocidade pela esquerda. Já dentro da área, escapou de Quiroga. Mas, na seqüência, acabou derrubado por Heinze, depois de outro drible desconcertante. O árbitro não teve dúvidas e marcou pênalti, que o próprio Ronaldo cobrou, atentendo a pedido da torcida.
Era o reencontro, após dez anos, do jogador com o Mineirão, palco de belos gols seus nos tempos de Cruzeiro. Ronaldo correu para a bola e deslocou o goleiro, que foi para o lado direito. O gol mal pôde ser comemorado. O juiz mandou voltar a cobrança, alegando invasão brasileira. O Fenômeno bate novamente, desta vez no meio, e faz 1 a 0, aos 16 minutos.
Em outra falha da defesa brasileira, Dida ficou olhando três argentinos tentarem, de cabeça, o empate. A bola passou por toda a extensão da área, e, no rebote, novo cruzamento. Desta vez, Crespo, livre, cabeceou pra fora.
Roberto Carlos, que sonhou com o clássico, por pouco não fez um gol de botar todo argentino pra sambar. Aos 33, numa cobrança de falta da intermediária, o lateral soltou uma bomba a 123km/h. A bola tirou tinta do ângulo direito de Caballero. Pouco depois, o mesmo Roberto Carlos cortou cruzamento para Crespo. No rebote, Sorín, sem marcação, isolou.
No segundo tempo, Oscar Ruiz não deu pênalti de Samuel em Ronaldo, com 2 minutos. Aos 7, o atacante recebeu lançamento na área e, de perna esquerda, fuzilou por cima. Mas a noite de Belo Horizonte reservava ao craque um reencontro em grande estilo com o Mineirão. Aos 22, ele arrancou do meio de campo e fez fila. Passou por dois marcadores e só parou no terceiro, com pênalti. A torcida pediu e ele não decepcionou: 2 a 0. Sorín, aos 34 descontou, após a bola bater na trave. Mas, aos 50, Ronaldo sofreu outro pênalti, que ele mesmo bateu para definir o placar.
Escrito por Cassiano às 08h15
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Quero ser grande
Estréia amanhã o terceiro filme da série Harry Potter. Produção tem tudo para agradar aos fãs do bruxinho, agora adolescente
Rubia Mazzini
À esquerda, Gary Oldman vive o vilão Sirius Black. Emma Thompson (centro) é a exótica professora Sybill Trelawney e David Thewlis faz Remus Lupin, mestre nas técnicas contra a magia negra
Trouxas e feiticeiros de todas as idades, a espera não foi em vão. Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban, o terceiro e aguardadíssimo filme da série baseada nos livros de J. K. Rowling, que estréia amanhã, é uma beleza de obra. Mérito do quase desconhecido cineasta mexicano Alfonso Cuarón, que substituiu Chris Columbus responsável por Harry Potter e A Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara Secreta na condução da nova aventura estrelada pelo simpático bruxinho.
Tenho certeza que alguém vai sentir falta de algo muito específico que ficou em sua mente enquanto lia o livro. Mas acho que os fãs vão adorar o filme, declarou Cuarón, recentemente. Diretor do ousado drama juvenil E Sua Mãe Também (com o lindo Gael García Bernal), o mexicano soube valorizar o que há de melhor no universo fantástico criado por J. K. Rowling. Um clima permanentemente sombrio e novos personagens esquisitões marcam O Prisioneiro de Azkaban, filme que começa a mostrar o amadurecimento de Harry Potter (Daniel Radcliffe) e dos inseparáveis Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson).
Agora um adolescente de 13 anos, Harry começa a fita burlando as regras da escola de magia Hogwats furioso, faz uma tia trouxa (pessoa sem poderes mágicos) inflar até se transformar num balão humano , foge de casa e descobre que sua vida está em perigo quando o mago Sirius Black (Gary Oldman) escapa da prisão de Azkaban. Black é suspeito de ter provocado a morte dos pais de Harry e acredita-se que agora queira acabar também com o bruxinho.
Até o desfecho surpreendente para quem não conhece o livro, claro , Harry enfrenta os fantasmagóricos dementadores (guardas de Azkaban que estão à proura de Black), lobisomens e outros perigos. O clima é tão pesado, que até em uma partida de quadribol o esporte preferido dos alunos de Hogwats , jogada debaixo de uma tempestade, o pequeno feiticeiro arrisca a pele. Que venha Harry Potter e o Cálice de Fogo, o próximo longa, previsto para dezembro de 2005.
Escrito por Cassiano às 08h14
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01/06/2004 - 23h55 Australiana Jennifer Hawkins é eleita Miss Universo 2004
Rodrigo Flores Em Quito (Equador) Pedro Cirne Em São Paulo
Reuters
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| Jennifer Hawkins é coroada Miss Universo | A modelo australiana Jennifer Hawkins foi eleita na noite desta terça-feira a Miss Universo 2004 - conforme o editor do UOL Tablóide já previra ao apresentar as candidatas, lembra?
A eleição de Jennifer não é uma surpresa. Ela era indicada por especialistas como uma das favoritas. Que especialistas? Os internautas do UOL Tablóide, que colocaram a australiana em segundo lugar, com 9% dos votos. A pesquisa não tem valor científico, mas parece indicar que, entre outras coisas, o internauta que acompanha o UOL Tablóide também entende de concurso de miss. (Em tempo: a primeira colocada, segundo os internautas, deveria ser a Miss Brasil, que recebeu 31% dos votos. Uma questão de patriotismo, talvez?)
A representante panamenha, Jessica Rodrigues Clark, foi premiada no concurso de trajes típicos. Os internautas elegeram a porto-riquenha Alba Reyes a Miss Fotogenia. E, na eleição realizada pelas próprias misses, a italiana Laia Manetti ficou com o título de Miss Simpatia.
A cerimônia A primeira etapa foi a apresentação de trajes típicos. Das 80 concorrentes, apenas 15 seguiram adiante, sendo nove delas latinas: as representantes de Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Jamaica, México, Paraguai, Porto Rico e Trinidad e Tobago. Completaram a lista das classificadas as misses de Angola, Austrália, Estados Unidos, Índia, Noruega e Suíça.
Para infelicidade da torcida brasileira, em geral, e do enviado do UOL Tablóide, em particular, a gaúcha Fabiane Niclotti não estava entre as selecionadas.
O segundo desfile foi o de traje de gala, em que os jurados (entre eles a atriz Bo Derek e a cantora Paula Abdul) levaram em conta a postura das misses. Mais uma vez, houve o predomínio das latinas entre as dez semifinalistas: avançaram as misses colombiana, costarriquenha, equatoriana, jamaicana, paraguaia, porto-riquenha e trinitária. Além delas, as beldades australiana, norte-americana e indiana ainda concorriam à coroa.
AFP
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| As mais belas entre as belas: isso que é final disputada, hein? | A terceira etapa foi a apresentação das concorrentes em maiôs. Depois dela, foram selecionadas as cinco finalistas: Jennifer Hawkins (Austrália), Shandi Finnessey (Estados Unidos), Yanina Gonzalez (Paraguai), Alba Reyes (Porto Rico) e Danielle Jones (Trinidad e Tobago).
A última fase do concurso foi a das perguntas - cada finalista retirou de uma urna qual questão iria responder. Só depois os jurados anunciaram o resultado final. E, se as representantes latinas vinham com força nas etapas preliminares, foram as três primeiras eliminadas na fase final: o quinto lugar ficou com Danielle Jones (Trinidad e Tobago); o quarto lugar, com Yanina Gonzalez (Paraguai); e Alba Reyes (Porto Rico) ficou em terceiro. A norte-americana Shandi Finnessey (Estados Unidos) ficou com o segundo lugar. E Jennifer Hawkins (Austrália) levou a coroa de Miss Universo 2004.
Escrito por Cassiano às 08h17
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Velho Chico
Compositor faz 60 anos no dia 19 e público terá como presente uma caixa com 12 CDs, dois DVDs, fotos exclusivas e texto caprichado retratando sua obra mais recente
Mauro Ferreira
As letras de suas músicas pinçam Deus e o diabo nos detalhes e subvertem a lógica e o sistema Frei Betto
Millôr Fernandes foi profético quando, ainda nos anos 60, atribuiu a Chico Buarque o rótulo de unanimidade nacional. No próximo dia 19, o cantor e compositor estará no seu apartamento em Paris, provavelmente saboreando um vinho. A data merece mesmo alguns goles de sua bebida predileta. Nesse dia, Chico Buarque de Hollanda completa 60 anos de idade, longe dos holofotes, como é de seu gosto. As comemorações acontecerão no Brasil sem a presença do aniversariante.
Uma caixa de CDs (Francisco, com sua obra a partir de 1987), um livro (Chico Buarque do Brasil, Editora Garamond, 430 páginas, R$ 54,50) e uma exposição de cartas e fotos na Biblioteca Nacional celebram seis décadas de vida do carioca que soltou a voz pela primeira vez na maternidade do Hospital São Sebastião, no Catete.
Chico resistia aqui no Brasil, compondo Apesar de você e nos ajudava a resistir lá fora Augusto Boal
Sua voz tímida seria ouvida em escala nacional em 1966, na efervescência dos festivais da canção, quando Chico, então com 22 anos, defendeu A Banda para uma platéia que se embevecia com a música e com o porte de galã do cantor, ainda hoje cortejado por platéias femininas por seus olhos de ardósia. Nascia ali a unanimidade nacional prevista por Millôr, que ganharia contornos heróicos ao se valer de sua música para denunciar os horrores da ditadura militar.
Auto-exilado na Itália, Chico voltou para o Brasil para lutar contra a opressão e moldar uma obra que concilia com o mesmo rigor estético a música, o teatro e a literatura. Na volta ao Brasil, o garoto que queria ser jogador de futebol driblou a repressão com jogadas de mestre como a criação de um compositor fictício, Julinho da Adelaide, para enganar a censura. Chico resistia, aqui no Brasil, escrevendo Apesar de Você e Vai Passar, e nos ajudava a resistir lá fora, cantando sua amizade, lembra o teatrólogo Augusto Boal, também exilado, em depoimento para Chico Buarque do Brasil.
Chico tem exercido o poder constituinte. O poder de constituir-se portador da marca do seu tempo Gilberto Gil
As letras de suas músicas recendem a poesia, esquadrinham a alma humana, pinçam Deus e o diabo nos detalhes, e subvertem a lógica e o sistema. Compor é o seu auto-exorcismo. Cantar, sacrifício reverencial ao seu público, interpreta Frei Betto, em depoimento para o mesmo livro. Dos sambas iniciais dos anos 60, que evocavam a verve de Noel Rosa e dos bambas do Estácio, ele foi nos anos 70 aos dramas épicos de músicas como Construção e às canções de alma feminina (Olhos nos Olhos, Atrás da Porta).
Nos anos 90, com discos cada vez mais espaçados, Chico intensificou a atividade de escritor, publicando os livros Benjamim (que virou filme este ano pelas lentes de Monique Gardenberg), Estorvo e Budapeste, editado no ano passado. No teatro, escreveu peças marcantes como Roda Viva (1968), Calabar (1973) e Gota d'Água (1975).
Flagrantes desta vida e obra de dimensões universais e conotações sociais estão sendo selecionados pela ex-mulher de Chico, a atriz Marieta Severo, para a exposição que ocupará a Biblioteca Nacional. A caixa de CDs, a exposição e o livro são retratos de um artista que marcou seu tempo e sua geração.
Escrito por Cassiano às 08h12
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Rivalidade e história em jogo
Brasil e Argentina brigam desde 1914 e têm 32 vitórias cada um. Quem vencer hoje assume a liderança das Eliminatórias
Marluci Martins
BELO HORIZONTE - Parece final de Copa do Mundo. Longe disso, mas parece. Brasil e Argentina levam hoje para o Mineirão, a partir das 21h45, décadas e décadas de uma velha e surrada rivalidade. O jogo, válido pelas Eliminatórias da Copa, pode dar molho à história do confronto entre as duas seleções: de 1914 para cá, foram 32 vitórias para o Brasil e também 32 para a Argentina. Todos os ingressos foram vendidos e o Mineirão vai estar lotado.
Perder? Jamais. Empatar? Também não. O técnico da Seleção, Carlos Alberto Parreira, pensa somente na vitória. Mas sabe que o mesmo objetivo passa pela cabeça do treinador argentino Marcelo Bielsa.
O empate é muito pequeno para o futebol argentino. Para a seleção brasileira, também. Será um jogo bom, aposta Parreira.
Desde que começou a preparar o time, o técnico da Seleção não esconde seu maior temor: o contra-ataque argentino. Delgado, Crespo e Killy Gonzalez são os nomes que abrem sua lista de preocupações. Para evitar os contra-ataques, temos de jogar com oito homens atrás da linha da bola. Na frente, somente o Luís Fabiano e o Ronaldo, diz Parreira.
Ronaldinho Gaúcho é o segundo nome da lista de preocupações do técnico da Seleção. Com um estiramento na coxa esquerda, o atacante desligou-se ontem da delegação e está vetado também do jogo de domingo, contra o Chile, em Santiago.
Ele é uma personalidade do futebol mundial. Um jogador que decide. Sem Ronaldinho Gaúcho, o Brasil perde muito, mas o esquema tático não muda. O que pode mudar é apenas o estilo na frente, destaca Parreira, torcendo para que o substituto, Luís Fabiano, consiga dessa vez manter sua cabeça quente no lugar.
A ausência de Ronaldinho Gaúcho, porém, não é o trunfo dos argentinos. Bielsa não esconde de ninguém que pretende vencer o jogo em cima da zaga brasileira, que considera frágil. Parreira não concorda:Nos últimos seis jogos, tomamos poucos gols. Isso mostra que houve evolução na defesa.
Clique aqui e veja a tabela e a classificação das Eliminatórias
Escrito por Cassiano às 08h11
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Paulo Sant'ana
02/05/2004
Frio cria empregos
Esses dias, eu declarei nunca ter visto, em toda a minha vida, um maio tão frio quanto esse que passou.
Esse frio surpreendente fez deslanchar as vendas nos shoppings do sul e do sudeste brasileiros, superando até mesmo, o que é incrível, as verificadas no fim de semana que antecedeu o Dia das Mães.
Esse último maio, de inesperado frio, recompensa o comércio e a indústria, frustrados com as vendas do inverno de 2003.
Os comerciantes foram apanhados de surpresa, não tinham estoques para a demanda de roupas de inverno, tiveram que rapidamente repor as mercadorias associadas ao frio.
Zero Hora publicou ontem o recorde espantoso de vendas de fogão a lenha no Rio Grande do Sul nos últimos tempos, estimulado também pelo frio de maio, com uma fábrica de Venâncio Aires tendo de dobrar o número de funcionários para dar conta dos pedidos dos clientes, que correram para comprar os fogões fabricantes de brasas, aquecedoras dos lares.
Notem então que em apenas dois itens da agitação da economia com o frio bendito de maio - as vendas incrementadas no comércio de roupas e calçados e o crescimento na venda e fabricação de fogões a lenha - foi deflagrado um estímulo a novos empregos.
Ou seja, o frio provoca o desenvolvimento. As pessoas, sob o frio, sentem maiores necessidades de agasalho, alimentam-se mais, são até mesmo cingidas a construir habitações mais sólidas e invulneráveis às intempéries.
Não é à toa que as regiões mais prósperas e desenvolvidas do planeta, Europa e Estados Unidos, são alvos de longos e intensos invernos.
E a África e a América Latina, continentes tropicais, apresentam baixíssimos índices de desenvolvimento e grande proliferação de pobreza ou miséria.
Ou acaso 80% do Produto Interno Bruto brasileiro não estão localizados nas Regiões Sudeste e Sul, exatamente as únicas atingidas pelo frio em nosso país?
Não é estranho que 20% do território brasileiro sejam responsáveis por 80% do PIB, enquanto os outros 80% do país produzam apenas 20% do PIB?
Esta extravagante inversão se deve a que o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste são assolados pelo calor.
E o calor torna o homem indolente, preguiçoso, desanimado. Exatamente porque ele não precisa prover o seu futuro.
Ou seja, ninguém morre de calor. Basta vestir um calção e um chinelo de dedos, com alguma alimentação a vida está feita.
Enquanto as pessoas que moram nas regiões de invernos rigorosos têm medo do que lhes possa acontecer na estação do frio. São obrigadas a trabalhar, a produzir, para proteger-se contra o frio do inverno, sob pena até mesmo de virem a morrer de frio.
Esta não é uma teoria minha, é de muitos sociólogos e historiadores. Uma tese muito polêmica, mas eu adiro a ela incondicionalmente depois que as vendas do comércio e a produção da indústria foram atacadas positivamente pelo sacalão do frio inédito de maio.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 08h11
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Martha Medeiros
02/06/2004
Anonimato
Nem todos desejam ser uma celebridade feito a descerebrada Darlene da novela das oito. Tem muita gente que preza sua pacata vidinha longe dos holofotes e nem por isso se considera um anônimo, até porque anônimo, mesmo, não existe ninguém. Pode o sujeito nunca ter saído numa revista ou aparecido na tevê, mas anônimo ele não é: muita gente o conhece no bairro onde mora, na escola onde estuda, no seu local de trabalho.
E em alguma coisa ele é o melhor: o melhor juiz de futebol de várzea, o melhor puxador de samba do boteco da esquina, o don juan mais manjado da internet, o melhor síndico que seu edifício já teve, a melhor mãe de trigêmeos, o melhor fotógrafo de 3 x 4, o motorista que melhor estaciona entre dois carros, a dona da receita de pudim mais cobiçada do morro. Não há quem não esteja no foco, todo mundo é importante pra alguém e tem um atributo qualquer. Passar totalmente despercebido, só não tendo nome nem rosto. Os anônimos por opção.
Lamentavelmente, los hay. Criaturas que escondem seu nome e seu rosto para poder colocar em prática intenções medíocres. São os que não assinam cartas cheias de agressões, os que passam trote ao telefone, os que inventam nomes falsos em provedores gratuitos só para escrever e-mails terroristas. Essa gente que não têm coragem de mostrar a cara, sinceramente, nem precisava mesmo existir.
Antes uma legião de Darlenes do que um único mascarado. Prefiro o desatino dos que fazem de tudo para ser reconhecidos, os que se expõem e pagam mico para estar em evidência, do que aqueles que agem na sombra, que só conseguem ser eles mesmos quando estão bem escondidinhos atrás de seus nicknames. Será que só há estas duas possibilidades na vida: ser célebre ou fantasma?
Uma revista publicou recentemente 10 dicas para quem quer ser alguém. Inacreditável: a) fazer lipo, b) casar com um tipo famoso, c) ter filho de um tipo famoso, d) freqüentar lugares da moda, e) ter muito dinheiro, f) ter hábitos excêntricos, g) escrever algo bombástico, h) ser um fofoqueiro profissional e outros conselhos geniais.
Abro novo e último parágrafo para listar também as minhas 10 regrinhas ainda mais geniais para quem quer ser alguém: a) ser registrado num cartório ao nascer, b) constar da lista de chamada da escola, c) descobrir qual é o seu dom, d) providenciar uma carteira de trabalho, e) saber assinar o próprio nome, f) levar um documento no bolso, g) ter sempre por perto alguém da sua tribo, h) pagar você mesmo suas contas, i) responder quando alguém perguntar quem é você e qual é a sua: sou fulano de tal, RG, CIC, firma reconhecida, nada a declarar, j) mas também nada a esconder.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 08h10
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Liberato Vieira da Cunha
01/06/2004
De luz e de saudade
Como um presente inesperado, tive acesso agora a uma correspondência iluminada por uma paixão sem limites. Um jovem estudante de Direito em Porto Alegre troca mensagens de amor com uma jovem professora de Francês, em Cachoeira.
Às vezes são simples bilhetes, em outras longas cartas escritas em forma de diário íntimo. Em cada linha e parágrafo há imensas reservas de ternura. Aqui há traços de humor; ali toques de uma doçura antiga e linda.
Os tempos são ásperos. Na Europa, na África, na Ásia, no Pacífico trava-se a mais terrível das guerras que a humanidade conheceu. No Brasil, uma ditadura sufoca a democracia e a liberdade. Rígidos costumes obrigam os namorados - quando próximos - a encontros em dias determinados, sempre sob a vigilante companhia dos infalíveis chás-de-pêra.
Nada disso perturba os dois apaixonados, que inventam um mundo à parte, no qual são um só coração e uma só alma. As esperanças de noivado e casamento estão imersas em incerteza: o rapaz é pobre, precisa concluir o curso, amparar cinco irmãos e a mãe viúva.
Nenhuma dessas sombrias circunstâncias os abate, um pouco porque dividem uma mesma, poderosa fé; um pouco porque parece não haver obstáculo capaz de abalar o belíssimo sentimento que os une.
É com essa fortaleza de espírito que terminam por vencer todas as barreiras e fazer de suas vidas uma vida. Nas eventuais novas separações - o marido volta e meia regressa a Porto Alegre, viaja ao Rio, por imposições de seus ofícios de jornalista, advogado, político -, seu idioma comum é o do desejo adiado, da sensualidade nutrida de ausência, da solidão das noites. E resta espaço para mais um, inaugural universo de afetos: o de dois garotos e duas meninas que são indivisíveis deles próprios.
É o que me encanta na correspondência: o do estado de paixão compartilhada que desconhece a passagem dos anos. É como se fossem ainda o jovem estudante de Direito, a jovem professora de Francês, um só coração e uma só alma.
Se você, a esta altura, supõe que estou falando de meus pais, não erra. Partiram os dois, como sempre juntos, ainda em plena juventude.
Julgava ter lido sua inteira correspondência. Me chegaram agora estas outras cartas, por séculos guardadas em mãos amigas.
Foi como se o Natal caísse, por uma branda subversão do calendário, não em dezembro, mas neste outono, que de súbito se reveste de luz e de saudade.
liberato.vieira@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 06h35
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A bola da vez
Contusão de Ronaldinho Gaúcho é a chance que Luís Fabiano esperava para ser titular contra Argentina, ao lado do Fenômeno
Janir Júnior e Marluci Martins
TERESÓPOLIS E BELO HORIZONTE - No rótulo de Luís Fabiano, as marcas registradas de garoto-problema, craque e goleador sempre se confundiram e fizeram do jogador um produto típico do futebol. Mas, com Ronaldinho Gaúcho lesionado e vetado para o duelo contra a Argentina, amanhã, às 21h45, no Mineirão, e diante do Chile, domingo, o atacante do São Paulo ganhou a oportunidade de começar como titular ao lado de Ronaldo. Ele quer aproveitar para lançar uma nova campanha de marketing: vem aí o garoto-solução.
A mistura Brasil e Argentina já é explosiva, mas ganhou um sabor apimentado com a presença de Luís Fabiano. O atacante garante estar vivendo uma fase zen, mas a embalagem e o conteúdo para o duelo de amanhã são conhecidos. Vou entrar de cara fechada, com disposição e bola para frente, brincou o jogador.
Luís Fabiano e Ronaldo atuaram juntos por apenas 21 minutos (11 contra o Peru e 10 contra o Paraguai). Sua característica de atuar mais fixo dentro da área será um pouco modificada, e ele terá de voltar para buscar o jogo. Mas o atacante não quer ficar apenas com a função de garçom. Eu posso colocar o Ronaldo na cara do goleiro, mas ele também pode dar uma contribuída. Sonho em fazer um gol neste jogo, seja de cabeça, orelha ou até de mão, comentou o jogador, pensando em repetir o feito de Maradona na Copa de 86, quando o ídolo argentino fez um gol de mão, contra a Inglaterra.
O jogo será mais uma oportunidade de Luís Fabiano mostrar seu futebol para o vice-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, que estará no Mineirão. As negociações com o clube espanhol estão em andamento e o próprio jogador vem trocando idéias com Ronaldinho Gaúcho, que rasgou elogios ao Barça e também para o povo local.
Parreira conversa com jogador e acredita que ele manterá a cabeça fria
O técnico da Seleção teve uma conversa em particular com Luís Fabiano e aposta que ele não entrará na catimba argentina. O Luís está melhor preparado. Estamos certo de que ele não fará nada que prejudique a ele e à Seleção, acredita o treinador.
O atacante promete controlar seu temperamento explosivo: É muita responsabilidade. Vou manter a cabeça no lugar.
Luís Fabiano prefere não se estender sobre o seu passado nos confrontos contra os hermanos. Ih, deixa quieto. Disputei uma decisão pela Seleção sub-20 e perdi, limitou-se a dizer.
Aos 24 anos, o atacante ganhou uma linha de chuteiras da Penalty com o seu nome. No São Paulo, ele costuma comprar tênis para revendê-los por um preço mais alto para os seus companheiros. Pura traquinagem. Eu dou balão no pessoal, brinca. Amanhã, será o dia de levar vantagem sobre a Argentina.
Clique aqui e veja a tabela e a classificação das Eliminatórias
Escrito por Cassiano às 06h34
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Livrarias com um público cativo
Especialização é a estratégia adotada pelos pequenos estabelecimentos para competir com as gigantes do setor
Pequenas livrarias estão apostando na especialização e serviços diferenciados para atrair público e competir com as gigantes do setor. A estratégia de oferecer produtos temáticos tem sido a saída de livrarias para sobreviver num mercado altamente concorrido onde as chamadas megastores se transformaram em shoppings culturais, com espaços para leitura, cafezinho e até cybercafé.
É o caso da livraria Folha Seca, que acaba de ganhar uma filial na Rua do Ouvidor, no Centro. Na casa, as publicações sobre o Rio de Janeiro ganham destaque nas prateleiras. O público cativo é o mais variado possível, embora o tema gire sempre em torno das paixões cariocas. A livraria é ponto de encontro de pesquisadores, turistas, músicos, colecionadores, torcedores de futebol e curiosos.
Os sócios Rodrigo Ferrari e Daniela Duarte tratam de dar atendimento especial aos clientes. Formada em História com mestrado sobre o Rio de Janeiro, Daniela resolveu conciliar o interesse pela cidade com a montagem de um negócio que servisse de referência na área. O público que vai a uma grande livraria não espera ser atendido. A nossa clientela gosta de conversar, de receber sugestões. São clientes que confiam nas indicações e sempre retornam, diz.
Além dos livros, a livraria trabalha com fotografias do Rio antigo, postais, camisetas ilustradas, sempre com a temática carioca. Não posso impedir alguém de aceitar descontos na concorrência que trabalha com grandes quantidades. Mas quando for títulos específicos ele vai comprar com a gente, diz Daniela. Os clientes contam ainda com um serviço extra. Os donos da livraria encaminham por e-mail bibliografias e acervo de dados para auxiliar pesquisa.
Folha Seca: (21) 2507-7175
Escrito por Cassiano às 06h33
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http://www.entrelacos.blogger.com.br/3105_kuerten.jpg">
31/05/2004 - 09h06 Guga vence espanhol e vai às
quartas-de-final de Roland Garros da Folha Online
http://www.entrelacos.blogger.com.br/3105_kuerten0.jpg"
align="left">O tenista brasileiro Gustavo Kuerten venceu o espanhol Feliciano
Lopez por 3 sets a 0, com parciais de 6/3, 7/5 e 6/4, nesta segunda-feira, e
avançou às quartas-de-final do Grand Slam de Roland Garros.
Com um jogo consistente, Guga, que na rodada anterior eliminou o suíço Roger
Federer, número um do ranking mundial, dominou o rival espanhol e só perdeu um
game de serviço --no décimo game do segundo set.
Foi sua terceira vitória seguida por 3 sets a 0. Após uma estréia difícil
--precisou de cinco sets para ganhar de Nicolas Almagro (ESP)--, Guga não cedeu
nenhum set contra Gilles Elseneer (BEL), Federer e Lopez.
Na partida de hoje, Kuerten teve 11 break-points a favor e aproveitou quatro.
Ele conseguiu ainda sete aces e ganhou 80% dos pontos em seu primeiro serviço,
contra 69% obtido com o segundo saque.
O brasileiro não alcançava as quartas-de-final do Grand Slam francês desde
2001, quando foi campeão. Em 2002 e 2003, ele caiu justamente nas
oitavas-de-final --nas duas vezes, perdeu para um espanhol.
Em 2002, Guga foi derrotado por Albert Costa por 3 sets a 0, com parciais de
6/4, 7/5 e 6/4. No ano passado, ele caiu diante de Tommy Robredo por 3 sets a 1,
com parciais de 6/4, 1/6, 7/6 (7/2) e 6/4.
Nas quartas-de-final, o tenista brasileiro, atual número 30 do ranking de
entradas, enfrenta o vencedor do confronto entre o russo Marat Safin, 20º do
mundo, e o argentino David Nalbandián, número oito.
Escrito por Cassiano às 10h46
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Cara a tapa
Wanessa Camargo lança CD e DVD, assume que já foi mimada e fala até do suposto acidente sexual do pai Zezé
Zean Bravo
Lá pelo meio da conversa, Wanessa Camargo troca o discurso ensaiado da cantora que está lançando o CD e DVD Transparente ao Vivo e surpreende. Estava muito acomodada. Sempre tive pessoas para cuidar de mim, até para pegar água quando tinha sede. Era meio mimada mesmo, assume. A mudança de postura explica uma analisada Wanessa, aos 21 anos , começou depois que a MTV exibiu um reality show sobre seu dia-a-dia, ano passado.
Vi o programa e percebi muita coisa errada. Comecei com 17 anos e não sabia como agir. Não tinha voz ativa, nem vontade de ter. Agora me imponho e não deixo mais ninguém tomar decisões por mim. Descobri que quanto mais sou eu mesma, mais dá certo, acredita.
Com essa decisão, atitudes de ordem prática foram tomadas. Não sabia nem quanto gastava de conta de celular. Isso é grave. Com 21 anos nunca marquei um médico sozinha. Deixava tudo na mão da minha mãe, coitada, assume Wanessa, que nega conflitos com a progenitora, Zilu, por conta da mudança. Quem ama discute e isso acontece comigo. Mas nossa relação sempre foi de respeito, assegura.
A importância dos pais é tão grande que ela afirma: Não fico chateada com o que pensam a meu respeito. A única coisa que me segura são meus pais. Eles são minhas rédeas. A relação com Zilu, e o pai, Zezé Di Camargo, é de pura amizade. Se bem que tem umas coisas que não quero contar para pai e mãe, entrega ela, que contou ao pai não ser mais virgem através de uma entrevista. Foi engraçado. No começo me assustei, mas vi que não preciso ter medo.
Wanessa afirma que hoje sexo e namoro não são tabus. Todo ser humano faz, é hipócrita não querer falar, aponta a cantora, que jura estar solteira. Não conseguia ficar sem namorado e engatava um namoro no outro. Claro que dou beijo na boca, mas não vou ficar contando quem beijo porque as pessoas são preconceituosas.
Por isso mesmo, ela não quer falar do ator Rodrigo Prado, apontado como seu último par. Não tenho obrigação de dizer com quem saio. Mas quando estiver namorando pra valer vou falar, avisa ela, desmentindo nova recaída com o ex, Dado Dolabella. Falo com todos os ex e nunca digo dessa água não beberei.
Ela diz que aprendeu a lidar com a exposição. As pessoas gostam de dar palpite. As senhoras falam Não namora esse não!. Dou risada. Mas não vou me prender por causa da carreira, assegura Wanessa, que diz ter adquirido outra visão da profissão. Mesmo tendo o maior orgulho de ser filha do Zezé nunca gostei de ser vista só como filha dele. Mas não adiantava enlouquecer. Hoje as pessoas sentem que aqui tem cabeça, que penso, não sou só imagem. Faço o que quero, vivo minha vida e boto a cara a bater.
Escrito por Cassiano às 07h53
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Luis Fernando Verissimo
31/05/2004
A madrasta das musas
No seu último livro, Lessons of the Masters, George Steiner lembra que nem Sócrates nem Jesus Cristo, que ele chama de as duas figuras "pivotais" da nossa civilização (de pivots, como no basquete ou nos crimes passionais), deixou qualquer coisa escrita. São mestres cujas lições sobreviveram no relato de outros, Platão no caso de Sócrates e os evangelistas no caso de Jesus. Não existe nem evidência de que os dois soubessem escrever.
A única, enigmática referência da Bíblia a um Cristo escritor está em João 8:1-8, quando, indagado pelos fariseus sobre o destino da mulher flagrada em adultério, Jesus finge que não ouve e escreve algo no chão com o dedo - ninguém sabe o que ou em que língua. Existe até uma velha piada, que Steiner cita, sobre um acadêmico moderno comentando o currículo de Jesus: "Ótimo professor, mas não publicou".
O legado literário de Sócrates, via Platão, é em forma de mitos, o de Jesus, em forma de parábolas. Dois meios de organização e transmissão oral de memória que a escrita diminui, transformando narrativa aberta em cânone e lição em dogma. Nos diálogos de Platão, o pensamento vivo de Sócrates já se coagulou em filosofia; nos textos bíblicos, a verdade poética de Cristo se petrificou em verdades sagradas, irrecorríveis.
Mas o maior defeito da escrita seria o de ter sabotado a memória como guia, roubando a sua função civilizatória de "mãe das musas". Durante muito tempo, os gregos desconfiaram da palavra escrita como a linguagem cifrada de um mundo obscuro que só levava à danação, diferente do que se aprende "de cor", ou com a linguagem do coração.
Homero, o inventor da literatura ocidental, era maior porque também nunca escrevera nada e suas estrofes inaugurais tinham sido transmitidas oralmente, de coração em coração. Mas isto pode ser outro mito. "Omeros" em grego, descobri agora, quer dizer refém. Homero, como o primeiro escritor do nosso mundo, seria o primeiro prisioneiro da maldita palavra grafada.
Tudo isto porque passei algum tempo em convívio forçado com o notibuque, sua conveniência, seus mistérios e seus perigos, o que levou a muita ponderação sobre a precariedade da palavra. Pois um pré-eletrônico como eu está sempre na iminência de ver textos inteiros desaparecerem sem deixar vestígio na tela. O computador nos transforma todos em reféns sem fuga possível da palavra e pode acabar, num segundo, com um dia inteiro de trabalho da pobre musa dos cronistas em trânsito.
Ao mesmo tempo, nos transformou na primeira geração na História que tem toda a memória do mundo ao alcance dos seus dedos. O computador resgata a memória como mestre da História ou, ao contrário, nos exime de ter memória própria, e decreta o triunfo definitivo da escrita? Sei lá. É melhor acabar aqui antes que este texto desapareça.
Escrito por Cassiano às 07h52
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Vasco brinca e arrasa o Botafogo
Clube de São Januário empurra rival ainda mais fundo no abismo com goleada por 4 a 0. Alvinegro é o penúltimo
Hilton Mattos

Petkovic teve seu nome gritado pelos torcedores na hora da cobrança dos pênaltis. E o sérvio não decepcionou: cobrou com tranqüilidade e foi um dos responsáveis pela goleada vascaína
Luizão passou a semana afirmando que o Vasco não era um time imbatível. Valdir e Petkovic, com dois gols cada, mostraram que o artilheiro errou na avaliação. No clássico dos desesperados, ontem, no Maracanã, o time de São Januário deu um passeio no Botafogo, humilhando o rival alvinegro por 4 a 0. O clássico marcou a despedida de Marcelinho, que pela segunda vez em menos de um ano, deixa o clube no meio da competição. Vai para o Ajaccio, da França.
Se havia sede de vingança de Luizão, por conta de sua tumultuada saída do Vasco, há cinco anos, do banco de reservas, Mauro Galvão é outro que vai custar a digerir a goleada. Técnico do Vasco no último Brasileiro e, recentemente, auxiliar de Geninho, o ex-zagueiro, teoricamente, pensava que conhecia as manhas adversárias. Pensava, porque, na prática, a história foi outra.
Além da goleada, o Botafogo ainda perdeu uma posição na tabela caindo para a penúltima posição. Já os vascaínos ocupam, agora, o 17º lugar. O Glorioso volta a campo dia 12, no Pinheirão, em Curitiba, contra o Paraná. O compromisso cruzmaltino será no dia 13, no Parque Antarctica, diante do Palmeiras.
Com a bola rolando, o Vasco chegou ao primeiro gol com Valdir, aos 22 minutos do primeiro tempo. A jogada nasceu de um lançamento de Róbson Luiz. O atacante partiu em velocidade e, diante da indecisão de Max, tocou por cobertura: 1 a 0.
O Bigode mostrou que continua impiedoso contra os clubes do Rio. Ontem, não foi diferente. Valdir fez dois gols de raça e categoria, mostrando que está recuperando a forma do Estadual
Valdir comemorou como criança. Pouco antes do gol, era vaiado pelos alvinegros que não perdoam sua apagada passagem por General Severiano em 1999. O Botafogo teve a chance do empate, com Sandro, cobrando falta. Fábio, sempre seguro, espalmou. E a partir daí passou a ouvir um corinho cantado toda vez que fazia uma defesa: Fábio... Fica. Gritavam os torcedores, contrários à provável ida do goleiro para o futebol europeu.
Torcida pede em coro e Petkovic cobra o pênalti
Não demorou e o Vasco chegou ao segundo gol. Petkovic fez um belo lançamento para Alex Alves, que só foi parado com o pênalti cometido por Daniel. Valdir, Pet e Alex se apresentaram para a cobrança até que a torcida, também em coro, definiu o batedor. O escolhido foi Pet, que ampliou o placar, aos 32 minutos.
No segundo tempo, Petkovic, outra vez de pênalti, aos 18, fez o terceiro. E, aos 41, Valdir, em nova indecisão de Max, definiu o marcador. Marcelinho jogou 15 minutos e quase se despediu com um golaço. No fim, além da humilhação, os alvinegros ainda foram provocados com um ão, ão, ão... Segunda Divisão.
Escrito por Cassiano às 07h51
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Publicado em 30 de maio de 2004 Paulo Coelho
Da importância dos outros
A brasa solitária
Juan ia sempre aos serviços dominicais de sua congregação. Mas começou a achar que o pastor dizia sempre as mesmas coisas e parou de freqüentar a igreja. Dois meses depois, em uma fria noite de inverno, o pastor foi visitá-lo.
Deve ter vindo para tentar convencer-me a voltar pensou Juan consigo mesmo. Imaginou que não podia dizer a verdadeira razão: os sermões repetitivos. Precisava encontrar uma desculpa e, enquanto pensava, colocou duas cadeiras diante da lareira e começou a falar sobre o tempo.
O pastor não disse nada. Juan, depois de tentar inutilmente puxar conversa por algum tempo, também se calou. Os dois ficaram em silêncio, contemplando o fogo por quase meia hora.
Foi então que o pastor levantou-se e, com a ajuda de um galho que ainda não tinha queimado, afastou uma brasa, colocando-a longe do fogo.
A brasa, como não tinha suficiente calor para continuar queimando, começou a apagar. Juan, mais que depressa, atirou-a de volta ao centro da lareira.
Boa noite disse o pastor, levantando-se para sair.
Boa noite e muito obrigado respondeu Juan. A brasa longe do fogo, por mais brilhante que seja, terminará extinguindo-se rapidamente.
O homem longe dos seus semelhantes, por mais inteligente que seja, não conseguirá conservar seu calor e sua chama. Voltarei à igreja no próximo domingo.
A ratoeira
Preocupadíssimo, o rato viu que o dono da fazenda havia comprado uma ratoeira: estava decidido a matá-lo!
Começou a alertar todos os outros animais:
Cuidado com a ratoeira! Cuidado com a ratoeira!
A galinha, ouvindo os gritos, pediu que ficasse calado:
Meu caro rato, sei que isso é um problema para você, mas não me afetará de maneira nenhuma. Portanto, não faça tanto escândalo!
O rato foi conversar com o porco, que sentiu-se incomodado por ter seu sono interrompido.
Há uma ratoeira na casa!
Entendo sua preocupação e estou solidário com você respondeu o porco. Portanto, garanto que você estará presente nas minhas preces esta noite; não posso fazer nada além disso.
Mais solitário que nunca, o rato foi pedir ajuda à vaca.
Meu caro rato, e o que eu tenho a ver com isso? Você já viu alguma vez uma vaca ser morta por uma ratoeira?
Vendo que não conseguia a solidariedade de ninguém, o rato voltou até a casa da fazenda, escondeu-se no seu buraco e passou a noite inteira acordado, com medo de que lhe acontecesse uma tragédia.
Durante a madrugada, ouviu-se um barulho: a ratoeira acabava de pegar alguma coisa!
A mulher do fazendeiro desceu para ver se o rato tinha sido morto. Como estava escuro, não percebeu que a armadilha tinha prendido apenas a cauda de uma serpente venenosa: quando se aproximou, foi mordida.
O fazendeiro, escutando os gritos da mulher, acordou e levou-a imediatamente ao hospital. Ela foi tratada como devia e voltou para casa.
Mas continuava com febre. Sabendo que não existe melhor remédio para os doentes que uma boa canja, o fazendeiro matou a galinha.
A mulher começou a se recuperar e, como os dois eram muito queridos na região, os vizinhos foram visitá-los. Agradecido por tal demonstração de carinho, o fazendeiro matou o porco para poder servir aos seus amigos.
Finalmente, a mulher se recuperou, mas os custos com o tratamento foram muito altos. O fazendeiro enviou sua vaca ao matadouro e usou o dinheiro arrecadado com a venda da carne para pagar todas as despesas.
O rato assistiu àquilo tudo, sempre pensando:
Bem que eu avisei. Não teria sido muito melhor se a galinha, o porco e a vaca tivessem entendido que o problema de um de nós coloca todo mundo em risco?
Escrito por Cassiano às 22h14
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Martha Medeiros
30/05/2004
Melhorar para pior
Houve uma época não muito distante em que o dia era curto demais para tanta conversa e a noite ainda mais curta para todo o resto
Li esta expressão, "melhorar para pior", na biografia Viver para Contar do escritor Gabriel García Márquez, num trecho em que, se bem me lembro - e não lembro bem - ele falava de que havia deixado sua casa para morar num prédio, e trocado as sandálias por sapatos. Se não foi assim, o exemplo igualmente serve.
De imediato, lembro de Bombinhas, em Santa Catarina. A primeira vez em que lá passei um verão, havia apenas casas de pescadores à beira-mar, um mercadinho precário e um único quiosque de madeira onde se servia camarões e caipirinhas a um preço ridículo. Posto de saúde, só na vila de Porto Belo.
Naquela época, janeiro de 1980, se contássemos todos os guarda-sóis fincados na areia, não somariam 25. Hoje Bombinhas tem cybercafé, edifícios, mini-shoppings, asfalto e vários restaurantes de rodízio de frutos do mar - com estacionamento. Se contarmos os guarda-sóis fincados na praia, somariam uns 1.843. Ô, se melhorou.
Outro dia vi uma ex-colega do colégio que tinha paixão por vôlei, jogava muito bem, era bonita, saudável, sempre de tênis, roupas esportivas, diurna, alegre. Hoje trabalha de recepcionista num restaurante, vive trancafiada num blazer risca-de-giz, de salto alto, dormindo todo dia às 3 da manhã. Tem um bom emprego, não se queixa. Melhorou, sem dúvida.
Bares também melhoram. Nascem botecos pequenos, com cadeiras de palhinha, mesas de madeira, clientela fiel e um garçom que todos chamam pelo nome - Genésio, tira aí um bem gelado! Aí o dono ganha dinheiro, resolve investir, troca a iluminação, o piso, amplia o espaço, incrementa o cardápio, compra umas cadeiras de acrílico, pendura uns alto-falantes na parede, nossa, é outro bar.
Casamento nada mais é do que a evolução do namoro, aquela época de dureza em que o casal passava o final de semana acampando e, de tão apaixonados, sentiam-se hóspedes de um hotel 5 estrelas. Aquela época em que o dia era curto demais para tanta conversa e a noite curta demais para todo o resto. Aquela época de palpitações e impaciências. Depois melhora. Ou não?
Impossível deter o desenvolvimento de lugares e pessoas. Pura exercício de nostalgia, esta crônica. Mas é que fiquei com esta história de "melhorar pra pior" na cabeça, tentando detectar o que significa isso, e se bem entendi, melhorar para pior é quando se perde a alma. Se conseguirmos evoluir e ao mesmo tempo manter a alma intacta, aí é o nirvana: melhorar pra melhor.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Escrito por Cassiano às 09h50
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Moacyr Scliar
30/05/2004
Os sonhos da rua Vasco da Gama
Gosto de caminhar pela cidade. Na Vasco da Gama, a rua da minha adolescência, lembrei do antigo apartamento com uma máquina de escrever em cima da mesa
Na adolescência fui morar na rua Vasco da Gama. Meu pai já tinha melhorado de vida o suficiente para instalar a família num modesto, mas confortável, apartamento de um pequeno prédio. Para quem morara numa casinha minúscula e infestada de ratos era um progresso, e eu estava particularmente feliz porque agora tinha o meu quarto, com uma mesa de trabalho providenciada por minha mãe, onde estava instalada a máquina de escrever. Aquele foi um quarto de sonhos, e cada vez que passo pelo lugar vejo, na janela, o jovem magro, inquieto, entregue a seus devaneios sobre um mundo melhor. Visão nostálgica e consoladora.
No último sábado caminhei pela rua Vasco da Gama. Andar pela cidade é coisa que faço com prazer, não só pelo exercício físico como também porque essa é uma forma de conhecer melhor a realidade. E ainda de fazer serviço de rua: lavanderia, sapateiro, etc.
Eu levava comigo sonhos. Mais especificamente o DVD do filme Sonhos Tropicais, baseado em livro de minha autoria, que conta os sonhos, e os equívocos, do criador da saúde pública brasileira, o médico Oswaldo Cruz. Na tarde anterior eu havia mostrado esse filme a meus alunos da Faculdade Federal de Ciências Médicas. Estudantes de Medicina são depositários de sonhos (os seus próprios, os dos pais, dos futuros pacientes), mas precisam cotejá-los com a realidade, e esse foi o objetivo de nossa discussão. Agora eu iria devolver o DVD à locadora. | |